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Cristo Vive! Semana Santa 2019 (Parte I)

Estamos vivendo o Tempo Pascal e gostaríamos de partilhar com vocês algumas das experiências de nossos missionários, membros e amigos, que viveram a Semana santa deste ano em missão. Neste texto a seguir, confiram o relato de Erika Teles (@erikatelescfm).

“Esposo Crucificado, eu Te desposo crucificando-me. Quero ser para Ti uma esposa de sangue. Sangue por sangue, Vida por vida. ” ( Érika Vilela)

Este ano, eu, Erika Teles,  sorella da Comunidade Filhos de Maria, estive em missão na cidade de Montes Claros na Paróquia São João Batista. Para mim foi uma experiência nova, pois no ano passado estive em missão na zona rural. Achava que na cidade muitas vezes, o mistério da fé parecia ser vivido de uma forma mais “apagada” pela realidade local, a correria, o trabalho, a falta de tempo, o próprio espaço.

Contudo, percebi o quanto as pessoas são sedentas por atenção,  o quanto elas necessitam de um alguém que as escute falar, de alguém que apenas queira estar e ser um com elas.

Durante as visitas que fiz, ao olhar nos olhos e escutar cada relato daqueles idosos, daquelas mães e pais, eu ia percebendo o quanto a ausência de Deus causa tristeza e o quanto a presença Dele traz vida. Encontrei-me com pessoas que sofriam por não ter mais forças físicas para ir ao templo, à Igreja, para fazer suas orações, falavam com pesar a impossibilidade de celebrarem com o povo o mistério da Paixão,  morte e ressureição de Jesus e, ao mesmo tempo, encontrei-me com pessoas perseverantes, fortes em espírito, transformadas pelo sofrimento, fervorosas na fé, pessoas que não podendo ir à Igreja, anseiam pela comunhão que lhes é levada toda semana, pessoas que rezam fielmente o terço por suas famílias,  pela humanidade, pessoas que se alimentam da oração,  da intimidade,  da amizade com o Cristo que habita neles.

Tive minha fé renovada, meu espírito exultava de alegria em Deus que realiza tantas maravilhas em nosso meio. Eu me alegrava ao ver que nada, nem a dor, nem a tribulação, nem a doença,  nem o desânimo,  nem a perseguição,  nem a morte pode nos separar do amor de Deus que é eterno e que alcança qualquer confim da terra.

 

O que mais me chamou a atenção neste período de missão na semana maior de nossa Igreja foi a visita que fiz a uma mãe que cuidava do filho que sofreu um acidente e teve traumatismo craniano. Ele está de cama, não fala, tem que ser olhado a todo tempo. Tem apenas 30 anos e já faz 7 que está nessa mesma situação. Ela me falou muito ao coração e me recordou do nosso carisma Filhos de Maria, me ensinou a “ser presença” e a estar de pé aos pés da Cruz, como Maria. Além desse filho acamado, há um tempo atrás,  ela teve a casa assaltada e teve um outro filho mais novo assassinado pelos ladrões,  ela me contou esses relatos e me transmitia serenidade, força! Eu sentia que ela tinha seu coração rasgado, transpassado por lanças,  mas permanecia fiel, de pé ao lado do filho que sofre, eu via ali naquela cena, Jesus Crucificado e Maria a cuidar Dele em seu colo.

Eu não podia “fazer” nada e como foi bom não fazer, naquele momento eu fui alívio para ela que sofria e ela foi alívio para meu ser que quer tanto fazer, mas  que foi ensinado a ser presença de Deus. Rezamos por aquela família e partilhamos com ela a moção da presença da Virgem a cuidar deles e do Cristo chagado que se fazia presente em sua casa. Ela nos falava que sempre que sentia as forças acabando, colocava o joelho no chão e pedia a Deus que a reanimasse, que a concedesse forças para continuar sua caminhada pelo calvário até o fim, o fim que culminará na eternidade.

Agradeço a Deus pela oportunidade de ter aprendido tanto, em um “estar” com aquele que sofre, em perceber que é esse o meu caminho, um caminho de Cruz, de morte, de estar de pé,  mas também um caminho que me leva a ver o sepulcro vazio, que me fará contemplar a Glória de Deus que vivo está,  que Ressuscitou para que também eu tenha vida e vida em abundância.

Nos ensina nossa fundadora, Érika Vilela (@erikavilelacfm): “Sofre com quem sofre, alegra-te com quem se alegra.” E foi isso que vivi nessa semana Santa,  uma união,  uma partilha de vida, um ser um com o povo, um experimentar que “é o Cristo Aquele capaz de dar significado à dor humana, a partir da experiência salvífica da Cruz.” (I.O. CFM). Através dessa vivência pessoal, pude viver as celebrações com o meu coração em profundo louvor, pois o que para mim, já antes tinha um grande significado, foi esse ano ainda mais significativo, pois me levou a olhar com outros olhos, com profundidade o mistério do Amor de Deus pela humanidade transmitida a nós através da dor, da Cruz, que nos trouxe vida!

Nunca vivi tanta alegria numa Vigília Pascal, eu tinha vontade de chorar, de rir, de gritar: “Cristo Vive!” Como experimentou minha alma de um pedaço do céu, como foi bom saber que pertenço a Ele, o Homem que venceu a morte por Amor!

Viva o Cristo Ressuscitado, o autor da vida, o Alfa e o Ômega,  Aquele que É, o meu Deus!

#FilhosdeMariaparasempre!

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