Ida para o alto
O ser humano não se contenta com algo conquistado. Sempre quer mais. Tem sede de infinito. Só o bem estar provisório ou os prazeres momentâneos não o satisfazem plenamente. Estes até são repetidos, como quem usa drogas para ter continuadamente sensação de prazer. Nessa dimensão, há os que sublimam seus impulsos com busca de ideal que não se conquista puramente com essas sensações passageiras. Fazem ascese ou exercitação,
mortificação, renúncias e atos de doação de si pelo bem do semelhante, numa vida consagrada de testemunho de busca de algo mais duradouro e definitivo, em geral por valor religioso e amor a Deus.
Quem está aberto ao valor da vida em referência a Deus, faz opções por buscar valores permanentes. É o que Jesus apresenta sobre a procura do tesouro escondido. A pessoa faz de tudo: até vende todos os bens para comprar o terreno onde está esse tesouro. A comparação feita por ele tem a inclusão da metodologia para alcançar o bem de maior valor. O que é fugaz não leva à consecução do tesouro definitivo. Por isso, deve haver discernimento, escolha, renúncias e tenacidade. Ele fala de escolha do caminho mais estreito e de doação de si pelo bem do outro. O dinheiro acumulado sem hipoteca social, os benesses usufruídos sem a dosagem da justiça e da promoção do bem comum e dentro da imoralidade sem compromisso com valores da dignidade do sexo e do respeito à família, não vão colocar tentos para a consecução de valores maiores da pessoa humana. Os que têm demais sem compromisso com esses valores e os que não os têm em abundância, de acordo com os ditames da dignidade do ser humano com a ação da graça divina, igualmente vão morrer e se apresentar diante do Criador. Ganha o tesouro definitivo quem viveu dentro do caminho da ética, da doação de si pelo bem do semelhante.
Houve uma moça escolhida por Deus, dócil à vontade do Criador, escolhida para ser mãe de Seu Filho, Salvador da humanidade. Sua vida simples, cheia de amor a seu Deus, levou-a a cumprir com presteza e obediência o projeto de Deus. Ela pautou a vida inteira pela oblação de si em realizar a incumbência de que o anjo lhe falou. Não viveu para satisfazer seus interesses ou buscar satisfações provisórias. Viveu para amar a Deus e seu filho, ajudando-o a realizar o plano do Pai.
No plano divino da salvação humana, Maria é o modelo da cooperação total com a ação do Senhor para tornar o mundo mais humano e cheio de amor.
Ela, a mãe de Jesus, o Filho de Deus, é verdadeiro exemplo de quem busca o que é do alto. Para coroar sua missão, foi recebida na eternidade, com seu corpo ressuscitado e transfigurado para gozar na eternidade o efeito de sua vida terrena, pautada pela obediência a Deus. Celebramos sua assunção ao reino definitivo.
No hino de louvor quando foi visitar sua prima Izabel, Maria lembra a ação de Deus que enalteceu sua fragilidade de serva do Senhor: “Olhou para a humildade de sua serva... Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,45). De fato, nós a aclamamos desta maneira!
Fonte: www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-jose-alberto-moura/7382-ida-para-o-alto
Autor:
Dom José Alberto Moura, CSSArcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG






