3. Identidade e sentido de pertença
Identidade e Sentido de Pertença
“a identidade possui uma dimensão individual e outra coletiva. Na dimensão individual o homem tem necessidade de criar significações para sua vida que de certa forma empresta sentido à sociedade, sendo no cotidiano que se constrói essa realidade social. Nesta perspectiva, o homem passa a ser compreendido como um ser capaz de atuar, de refletir e de se identificar, transformando a si mesmo e o contexto no qual se encontra. Já na dimensão coletiva da identidade, a cultura exerce um papel principal para delimitar as diversas personalidades, os padrões de conduta, as características próprias de cada grupo humano e ainda a religião que congrega a diversidade na unidade.”
(DIAS, Daniella Camila Araújo, Comunidade Católica Shalom – Construção de Vínculos Identitários)
A identidade é uma expressão da essência pessoal, cultural, comunitária. É através dela que transparece o motivo da existência. A identidade da Igreja, por exemplo, segundo Paulo VI em sua Exortação Apostólica Evangelii Nuntiand, é evangelizar. No Catecismo da Igreja Católica temos que
“a Igreja é una, santa, católica e apostólica em sua identidade profunda e última, porque é nela que já existe e será consumado no fim dos tempos "o Reino dos céus", "o Remo de Deus", que veio na Pessoa de Cristo e cresce misteriosamente no coração dos que lhe são incorporados, até sua plena manifestação escatológica”
Sendo assim, todas as Instituições da Igreja herdam a mesma identidade, que, unida à espiritualidade de cada uma, assim como aos seus símbolos de uso comum, formam a sua própria identidade. Da mesma forma, as novas Comunidades possuem a sua identidade específica dentro da Igreja de acordo com o carisma e a espiritualidade das mesmas, assim como os símbolos usados por seus membros. O uso de tais símbolos é resultado de um sentimento de pertença do membro ao grupo.
Para o sentido de pertença temos que
“é algo característico dos membros das Comunidades, e ele é expresso nos símbolos religiosos, por vezes ostensivamente visíveis como crucifixos, medalhas, pulseiras, camisas com estampas de imagens religiosas, e até mesmo no modo de vestir-se, com roupas mais austeras e comportadas. É uma nova identidade que se constitui após uma experiência de mudança de vida e adesão mais consciente e estreita ao catolicismo – entendido aqui como doutrina.”
(GOMES, Sandro dos Santos, As novas comunidades católicas: rumo a uma cidadania “renovada”? )
O sentido de pertença é mais do que se sentir “dentro”: é sentir-se parte, completude de algo. No caso das novas Comunidades, é perceber que também é movimentação do carisma, que se é necessário não só no serviço, mas no ser Cristo, no ser carisma para o outro. É um estado de felicidade. É sentir-se no lugar certo. Para quem vive o sentido de pertença, sabe-se o quanto é bom ser identificado como parte, carregar a identidade do carisma, da nova família, do uso dos sinais externos, do nome e do testemunho.
No sentimento de pertença, é importante se ver como responsável pela realidade em que se vive. Não se é um mero expectador ou participante, é aquele que também cria a realidade, completa ou outro, traz a essência e faz uma falta insubstituível na vida de cada um. O serviço pode ser feito por qualquer um, mas a presença é única. Assim como acontece em uma família, onde sabemos que fazemos parte por sermos filhos, pais, irmãos, netos..., e não há quem substitua o outro em sua essência e presença, acontece também nas novas Comunidades, as famílias carismáticas: a essência de cada um, a história de vida, o chamado pessoal completa um todo. Saber disso e viver isso é o sentido de pertença.
É importante ressaltar que a identidade e o sentimento de pertença a uma Instituição da Igreja são fundamentais para se viver no local com o grupo. No caso da nossa nova Comunidade, Filhos de Maria, temos como essência carismática a vocação de ser manifestação do Amor.
“Queremos ser a manifestação ao mundo do Amor que levou Cristo à loucura da Encarnação, do Calvário, da Ressurreição, que O leva à Eucaristia. É este o sentido de nossa vocação e das nossas vidas: amar até doer, até o extremo, até derramar o sangue, seja de modo espiritual como nossa Mãe Maria ou como Cristo no mistério da Cruz. É no calvário que somos a nova criação nascida de um amor extremo, onde da morte brotou a Vida, uma nova vida para todo aquele que se denomina Filho de Maria”. (Estatutos, artigo 6)
Como todo cristão, temos em nossa identidade o chamado a amar o sofrimento, a amar quem sofre; a amar a simplicidade e ser um com os pobres, a amar a pobreza de espírito; a amar a pureza de coração, a amar a obediência; a amar o Cristo no outro, em seus limites e dificuldades. Mas, além disso, o especial da identificação da nossa vocação, que gera em nós o sentido de pertença, é o nosso carisma de SER manifestação desse Amor que nos inflama. É nele que nos encontramos como família, como parte de um todo, extensão do outro.
Bibliografia
Catecismo da Igreja Católica. Disponível em:
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap3_683-1065_po.html
Comunidade Totus Mariæ. A vocação das e nas Comunidade novas. 2011. Disponível em:
http://totusmariae.org/igreja/novas-comunidades/44-vocacao-das-e-nas-comunidades-novas.html
DIAS, Daniella Camila Araújo. Comunidade Católica Shalom/Natal/RN:Construção de Vínculos Identitários. 2011. Disponível em:
GOMES, Sandro dos Santos. As novas comunidades católicas: rumo a uma cidadania “renovada” ?. Pontífice Universidade Católica, RJ. 2008. Disponível em:
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0610492_08_pretextual.pdf
NICOLAU, Roseane Freitas. O sentido da Comunidade Católica Shalom entre os carismáticos de Fortaleza. 2006. Disponível em:
http://www.rcs.ufc.br/edicoes/v37n1/rcs_v37n1a7.pdf
Paulo VI.Exortação Apostólica Evangelii Nuntiand. 1975. Disponível em:






