Palavra

 

A bíblia é uma coleção de escritos ou livros que têm, em linguagem humana, a inspiração divina. Não bastam os textos escritos para termos a linguagem de Deus. É preciso abrir-se para Deus, através da leitura e meditação dos textos, orando e querendo aplicá-los à própria vida.

 

Assim, a leitura frutuosa da bíblia vai acontecendo e transformando a vida da pessoa. Na comunidade é importante os grupos se formarem não só para a devoção feita através da oração, mas, especialmente, com a leitura orante da Palavra de Deus. Os Movimentos devocionais são importantes e se tornam verdadeiramente missionários com o uso da bíblia para orientar a vida de todos.

 

Costumamos ter convivência através de palavras proferidas para nos entendermos, combinarmos ações em comum, decidirmos sobre determinados temas, compreendermos os outros, darmos nossas sugestões e, enfim, nos relacionarmos como pessoas na família e em toda convivência humana. Há também palavras destruidoras de pessoas, de ideais, de projetos, de vocações e de iniciativas. Depende de como utilizamos as palavras para elas serem meios de construção ou de morte. O Papa Paulo VI, no documento “Evangelização no Mundo Contemporâneo” afirma que as pessoas ouvem mais quem dá bom exemplo de vida. Se ouvem palavras é porque vêem o exemplo de vida atrelado às palavras.

 

No contexto bíblico, o antigo povo judeu teve a experiência da presença de Deus atuando em seu meio. Os escritos sagrados foram as anotações da vida do povo com seu Deus. Por isso, tais documentos para nós têm fecundidade se nos colocarmos também em sintonia com Deus, para realizarmos o que Ele vai nos propondo através da consciência esclarecida sobre o bem para a sua prática. A bíblia nos dá os ensinamentos necessários para caminharmos conforme as indicativas divinas, mas é preciso nos colocarmos no clima ou ambiente de diálogo com Deus. Caso contrário, poderemos ter cultura bíblica sem a prática do diálogo com Deus e a colocação em ação o que Ele nos indica. Quanto mais ouvirmos Deus, mais nos colocamos em harmonia com o semelhante. Tudo o que Deus nos propõe tem a ver com a convivência de amor com o semelhante por causa do amor dele para conosco.

 

Aprendemos muito com a Palavra divina na inspiração bíblica. Deus jamais falta com a palavra, apesar de o antigo povo judeu mostrar continuadamente suas falsas promessas de obedecer a Deus. Se nossas palavras indicarem realmente a verdade, seríamos mais pessoas de palavra, da verdade e do bem. Não enganaríamos o semelhante. Teríamos mais honestidade, justiça e caridade. Faríamos família com o sim de verdade na realização das promessas do batismo, do casamento, do juramento político...

 

Nosso ato ou manifestação de fé seria a prova de que somos verdadeiros. Dizemos que cremos, mas nem sempre isso é verdade. Há pagãos que não dizem crer mas são de palavra. Convertendo-se se transformam: “Os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (Mateus, 21,32).

Autor:

D. José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
COMENTÁRIOS (1)

Escrito por Arley Humberto em 27/09/2011

Como é bom ouvir o nosso Pastor nos indicando um caminho tão seguro e certo para nos aproximarmos de Deus, em uma relação não só afetuosa, mas também concreta de conversão, mudança de vida. Encontramos na Palavra um novo sentido e uma nova razão de ser: estar em contínua relação com o Eterno, como Amor, com a Justiça e com a Paz.

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