Pastoreio

Em seus ensinamentos Jesus falava a língua do povo, de modo vivencial e simples. Aliás, sua maior pregação era seu exemplo de despojamento e doação total. Ensinava com autoridade. Era avesso à demagogia e à mentira. Não titubeava em defender a verdade, o bem e os fragilizados. Queria a inclusão pessoal e social de todos. Se falava de pastoreio é porque, de fato, pastoreava as ovelhas com muita vontade de vê-las bem, seguras e saudáveis.
Deus é assim: quer o bem de toda a obra criada, ainda mais o ser humano, feito à sua imagem e semelhança. Dá-lhe a responsabilidade do pastoreio de toda a obra criada na terra, assim como Ele cuida de tudo. Mas o respeito à dignidade do semelhante deve levar o ser humano a até sacrificar-se em bem do outro, para ter convívio de promoção da realização para todos. Enquanto isso não se der de modo adequado há que se trabalhar diuturnamente nessa direção. Vemos uma realidade dura e terrível para inúmeros seres humanos, enquanto existir esbanjamento, corrupção, disparidade enorme quanto ao ganho material, intelectual e espiritual para outros. Uns acumulam demais, injustiçando maiorias. Quando a política e a justiça forem maiores instrumentos de justiça para todos, teremos menos injustiças sociais.
Para fazer o bem a pessoa costuma enfrentar dificuldades: “Caríssimos, se suportais com paciência aquilo que sofreis por terdes feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus” (1 Pedro 2, 20b). Se não formos capazes de enfrentar as dificuldades, desanimamos e nos omitimos em promover a justiça na sociedade. Há sempre forças ou posições antagônicas no modo de se realizar convivência conforme o direito e o dever. A crítica é abrangente no convívio social. A ação de quem pastoreia, coordena ou exerce liderança faz a pessoa ter mentalidade, ideal e ação altruísta. Vê as necessidades das pessoas como quem tem o olhar de Cristo sobre as ovelhas que precisam de pastor. Muitos, em vista da ação caridosa e missionária de quem participa do pastoreio do Mestre, convertem-se e perguntam: “Irmãos, o que devemos fazer?” (Atos 2, 37). Basta, então, fazer como Pedro: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus... Salvai-vos dessa gente corrompida!” (Atos 2,38.42).
O Filho de Deus fala de sua ação de Pastor, em contraste com os que se fazem tais, enganando o povo em nome de sua liderança política ou religiosa: “Quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante... eu sou a porta das ovelhas... Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,1,7,10). Aceitar ser conduzido por Ele leva-nos à garantia de atingirmos plenamente o objetivo de nossa caminhada terrestre. Mas quem O aceita assume também a missão de ajudá-Lo no pastoreio, em obediência ao que Ele mesmo indica: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura”(Marcos 16,15). Em vista disso, há pessoas dedicadas que assumem postos de liderança para servirem o povo de Deus e toda a sociedade, apesar dos desafios do consumismo e oposições de quem não aceita os valores éticos e do Evangelho. Precisam ser apoiados para o bem de toda a Igreja e comunidade.
fonte: www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-jose-alberto-moura
Autor:
Dom José Alberto Moura, CSSArcebispo de Montes Claros, MG






