A Benção, João de Deus
Iniciamos o mês de maio com uma grande celebração na Igreja e de importância singular em nossa Vocação, que nasceu sob seu pontificado: a beatificação de João Paulo II, nosso amado João de Deus. Foi belo contemplar a ação da Providência Divina nesse momento histórico. Quis ela que João Paulo II fosse beatificado na Festa da Divina Misericórdia, festa intitulada por ele para ser celebrado ao fim da oitava pascal o Mistério do Amor Misericordioso encarnado em Jesus.
A beatificação ocorreu ainda, no início do mês dedicado a Virgem Maria, a quem ele entregou a sua vida dizendo: “Totus Tuus!” “Todo Teu”. Não se pode esquecer que é comemorado no dia primeiro de maio a festa de São José Operário, com quem Karol também se identificava por causa do período em que trabalhou como operário nas minas. Isso justificou o ser conhecido como o Papa operário.
Ler as entrelinhas da beatificação de João Paulo II é conhecer o caminho de santidade que é Jesus. É aprender com Maria, Mãe de Misericórdia, a viver como filhos no Filho e com Karol a ser bom aluno em sua escola.
Observa-se na homilia da Celebração que Maria é mãe da Fé. Dela foi dito, “bem-aventurada és tu, porque acreditastes naquilo que lhe foi anunciado!”. É mestra na escola do sofrimento, nos ensinando a vivê-lo de pé como no ícone da crucificação, descrito pelo evangelista João. Dando-nos ainda aí uma lição de misericórdia ao receber como filhos aqueles que rejeitaram o seu primogênito e acolhendo em seu seio a humanidade chagada, presente no corpo de seu divino Jesus.
É a Virgem da Ressurreição! Como estava preparada desde aqueles três dias em que Jesus esteve perdido no templo, não vacilou em acreditar que seu Filho havia vencido a morte, pois havia guardado e meditado em seu coração que “ele tinha vindo para fazer a Vontade do Pai”. É interessante observar em João Paulo II o que ele aprendeu na escola de Maria. Foi dito dele também a bem-aventurança da fé: “Feliz és tu, porque acreditaste sem precisar ver! Feliz és tu, Simão!”.
Foi um gigante no sofrimento! Revelou ao mundo quanto de dignidade existe quando se sofre unido a Jesus. Triste não é sofrer, mas sofrer sem sentido! Como João permaneceu aos pés da Cruz e, como Paulo, combateu o bom combate guardando a fé. Ao se inclinar para as dores do mundo, foi um gigante na coragem de gritar não à guerra, ao abraçar os desafios de uma nova evangelização e introduzir a Igreja no Terceiro Milênio. Foi um gigante na humildade. Quem poderá um dia esquecer o mea-culpa?
Por isso, como a Virgem, hoje no céu ele pode cantar: “o Senhor fez em mim maravilhas. Agora, de geração em geração me conhecerão como bem-aventurado!”.
Quisera eu também como João de Deus aprender tanto do coração imaculado de Maria. Resta, porém, para mim, uma longa estrada. Então, só posso expressar minha gratidão a Deus por poder contar na Jerusalém Celeste com mais este amigo precioso. Imagino-me, neste dia, na Praça de São Pedro erguendo os olhos e contemplando no alto a imagem estampada no estandarte. Diria: “A benção, João de Deus! Interceda para que eu e tantos outros, como tu, sejamos no mundo a manifestação do Amor Misericordioso!”.

Autor:
Érika Vilela - Anawin -Fundadora da Comunidade Filhos de Maria






