Qual é o teu tesouro?

 

Muitas vezes nos perdemos no caminhar por deixarmos de contemplar o essencial nos voltando para o efêmero. Importa notar que tudo o que não seja totalmente uma entrega, uma doação, é passageiro. Uma vez que tem uma duração limitada às nossas possibilidades, está preso à nossa vontade e vantagem própria.

O Senhor nos convida a termos os olhos fixos no eterno que é onde deve estar o nosso tesouro. Isso não significa uma vida focada em um futuro distante, antes é a concretização da Glória no momento presente. Ou seja, em tudo devemos aprender a perceber e apresentar a contínua novidade do céu; isto é o entesourar em Deus: fazê-lo amado e conhecido em todo tempo e lugar.

O Evangelho desse domingo nos apresenta exatamente essa verdade. Aquele homem tão aprisionado em si e em seus bens esqueceu-se de que tudo o que se tem é dom de Deus, e por isso mesmo deve servir de meio para o louvor, a ação de graças e não para ser um fim. Continuamente também nós estamos guardando “o nosso tesouro” em “nossos celeiros” cada vez maiores e mais inúteis, pois não nos sustenta antes nos destrói corroendo o coração, furtando-lhe a possibilidade de viver em louvor ao Bom Deus que não cessa de nos sustentar com amor, graças e também com bens necessários.

Todo dom é uma graça que nos serve de instrumentos para o serviço ao próximo. Sendo assim, tudo o que temos e sabemos é sempre um meio, um caminho. O problema é que quando não compreendemos qual é o verdadeiro tesouro e tendemos a inverter a ordem. Nesse momento o que era meio torna-se fim e com isso perdemos o sentido e a razão das coisas tornando-nos insensatos.

A pergunta de Jesus chama a atenção para este fato. “A quem ficará os seus bens?”. Esse “a quem” pode ser compreendido também como um “a que” se nossos dons são transformados em fim o que eles terão feito em nós em vista do bem maior que é a vida eterna conquistada por Cristo para nós?

A insensatez é a dureza do coração que se ocupa do que é passageiro e nos cega para o eterno. Perdemos a vida por não contemplarmos o eterno. Jesus nos convida a tomarmos um novo caminho, uma direção reta rumo à Glória. Para tal devemos buscar o tesouro eterno da vida nova em Cristo. Importa a coragem de viver a alegria de dar, de perder para ganhar.

O único celeiro que devemos construir é o da entrega e da caridade que implica sempre em uma disposição por lutar pelo eterno e assim ir configurando-se a Cristo tendo em nós os seus sentimentos e ações. Eis o grande tesouro.

 

Autor:

Arley Humberto - Anawin
Membro da Comunidade de Vida
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