Solenidade de Cristo Rei

Precisamos urgentemente formar o ser humano para valores que ultrapassem a visão do bem estar fundamentada excessivamente no econômico. Não basta a riqueza material para a felicidade humana, embora ela seja um dos instrumentos necessários quando usados com a medida parcimoniosa mostrada por sua própria relatividade.
A própria educação não pode também reduzir-se à escolaridade, com fechamento no tecnicismo ou até no intelectualismo fechados, sem visão dos demais valores da formação do caráter e da convivência social solidária.
Estamos no fim do ano litúrgico vivenciado na Igreja, com a festa do Cristo Rei, deste próximo domingo. Lembra-nos a necessidade de percebermos que tipo de reinado queremos. Relacionando os governos humanos, sentimos muitas carências que deveriam ser sanadas pelos mesmos. A grande concentração de rendas não tributadas lesa a justiça social. Por outro lado, assalariados deixam quarenta por cento de seus rendimentos, muitas vezes insuficientes até para suas necessidades básicas, nas mãos dos próprios governos para usos diversos. Estes nem sempre são aplicados para o benefício social proporcional ao tributo dos contribuintes.
Os governos políticos deveriam fazer reinar educação que ajudasse as famílias na sua boa constituição, sustentabilidade material e social, adequada à sua ajuda à boa formação do caráter das pessoas. Todos os meios de comunicação social [de massa] deveriam ser instados a essa ajuda de educação. Isso deveria prevalecer acima de interesses de promoção de furos de reportagem. Muitas vezes eles são feitos para benefícios comerciais sem uma contribuição maior com a causa da formação do justo senso crítico, do respeito à família, à vida e à dignidade da pessoa humana.
A formação de base no ensino escolar deveria fazer reinar a qualidade da formação. Haveria, assim, maior incentivo à aprendizagem de valores culturais e sociais de enlevo humano e social, a ponto de ajudar as pessoas a terem condição de alcançar a verdadeira cidadania.]
O reinado de Cristo não se limita ao rasteiro e puramente horizontal da convivência social. Ele nos ajuda a sedimentar a caminhada terrestre com a extensão do amor que leve à preocupação com a alteridade, na perspectiva do amor humano eivado do amor do próprio Deus. Vemos a necessidade da sua ajuda para realizarmos nossa vida com o anseio de infinito. Nessa dimensão nos tornamos pessoas de generosidade para com o semelhante. Ajudamos a construção da nova sociedade, responsabilizando-nos todos por um convívio de real respeito e promoção da vida, da pessoa humana, da família e dos excluídos de vida digna. Tornamo-nos mais justos e solidários, unindo-nos para o uso da política como real serviço ao bem comum.
Se realmente aceitarmos o reinado de Cristo, faremos do convívio social uma interrelação de pessoas autenticamente humanas, como o Messias se tornou um de nós para o imitarmos. O apóstolo Paulo nos lembra: “Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1, 19-20)
Autor:
Dom José Alberto Moura, CSSArcebispo Metropolitano de Montes Claros






