Fariseu e cobrador

“Jesus contou a seguinte parábola para aqueles que confiavam em si mesmos, tendo-se por justos, e desprezavam os outros”. Já comecemos a meditação deste evangelho contemplando a bondade do Senhor para conosco: Ele sempre está atento às nossas necessidades! Ele sabe bem que quando confiamos em nós mesmos não conseguimos caminhar em frente, rumo a graça que Ele tem para nos dar. O homem por si mesmo não pode nada. Prova disso temos na história de Jó (Jó 37 - 42). É Deus que provê tudo! Se eu tiver os meus olhos fixos em mim, não construirei o Reino de Deus e sim o meu próprio reino, que um dia ao pó voltará. Seria semelhante aos fariseus, que construíam a própria imagem como seguidores da lei ao invés de promoverem o verdadeiro ensinamento de Deus.
Se eu confio em mim mesma, como posso dar-me ao outro em seu cansaço, servi-lo em sua necessidade, perdoar as faltas que me comete, semear a paz, amar sem medida? Se me tenho como justa, como irei seguir a Deus, sendo que Ele veio para chamar os pecadores e não os justos (Lc 5, 32)? Se eu desprezo os outros, como serei considerada filha de Deus se não amo como Ele me ama? (Jo 13, 34-35). Deus é o Amor, enquanto o homem é o reflexo desse Amor. O reflexo é totalmente fruto da Imagem que reflete! Nada seria sem essa Imagem. Então, como louvar a si mesmo e aos próprios feitos? O fariseu da parábola louvava o reflexo que, por mais fiel que fosse, ainda assim era só o reflexo.
“Ó meu Deus, eu te agradeço por não ser como os outros homens que são ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como esse cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de tudo que possuo”. As boas obras do fariseu não são ruins aos olhos de Deus. Ele não rouba, não mata, não comete adultério e nem a injustiça: é fiel aos mandamentos do Senhor. Além disso, pratica o jejum e dá o dízimo do que tem: é fiel também à lei. Sendo assim, qual é o problema com a oração do fariseu? Eis a resposta: falta humildade. As obras do fariseu são louváveis, mas de nada valem se não houver o reconhecimento da sua condição de criatura, de pecador. Se não houver humildade, não há conversão. Sem humildade as boas obras de cada homem não exalam o odor que agrada a Deus. “Deus se deixa conquistar pelo humilde...” (João Paulo II)
“Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”. O cobrador de impostos não tinha nada a oferecer a não ser a si mesmo na condição de pecador e no pedido de compaixão. O que mais poderíamos oferecer a Deus? Nenhuma das boas obras do homem equivale à oferta de si mesmo. Não foi isso que nos deu Jesus ao morrer na cruz por nós? Não foram as Suas boas obras que nos salvaram, mas a oferta de Si mesmo. A rica oração do cobrador de impostos não termina nas poucas palavras que ele recitava, ela se estende na experiência da humildade, na gratidão da Misericórdia de Deus, na esperança de salvação. Ele não se exalta: ele se entrega a Deus através do reconhecimento de que vem do pó e ao pó voltará (Ec 3, 20). Sabe que as suas boas obras não são suficientes para justificá-lo diante de Deus, pois reconhece a sua iniqüidade e o seu pecado está sempre à sua frente (Sl 50). Nada mais o cobrador de impostos pode fazer a não ser esperar na Misericórdia Dele. É assim que eu quero ser... É assim que devemos ser!
“Eu vos digo: Este voltou justificado para casa e não aquele. Porque todo aquele que se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. Como Deus é bom! Ao pecador, Ele dá a redenção! O que mais podemos querer?
Autor:
Mirla Rocha - FratellanzaMembro da Comunidade de Vida






