Quem é teu Senhor?

Um dos aspectos que mais me atrai no Evangelho é a maneira como Jesus leva a sério a Sua missão, a Sua responsabilidade, própria de Seu sacrifício na Cruz. É fácil perceber isso quando Jesus, com doze anos de idade, responde à Sua terna Mãe, Maria: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2, 49). Ou ainda quando disse aos discípulos: “Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e cumprir a Sua obra” (Jo 4,34). Ou com mais veemência, quando expulsa os vendilhões do templo.

São muitas as palavras em que podemos contemplar tal responsabilidade de Jesus pela missão que o Pai lhe havia conferido e nas quais somos chamados a tomar atitude semelhante.

A parábola do administrador infiel (Lc 16,1-13) meditada neste 25º Domingo do Tempo Comum nos chama a refletir a esse respeito. E gostaria de tomar a nossa reflexão começando do versículo final dessa leitura.

 “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13). Este versículo muito conhecido, lema da Campanha da Fraternidade deste ano, convida-nos a refletir muito além do aspecto da justiça social, pois há uma liberdade para além dos aspectos econômicos, políticos ou sociais. Uma justiça social segundo os planos de Deus dependerá de qual senhor devotaremos em nossos corações.

 Por isso, é preciso compreender que nossas atitudes são reflexo do interior, daquilo que o coração está cheio. Certa vez, Érika Vilela, nossa fundadora, dizia a mim que se o nosso coração estiver fora de Deus as nossas respostas não conseguiriam ser adequadas à Vontade dEle em nossas vidas. É assim que nasce a infidelidade.

E foi assim que o administrador se tornou infiel. Empregado de um homem muito rico, dispersou os bens de seu patrão tornando-se infiel à sua função. Ou seja, o coração deste administrador não estava em seu patrão, em sua função, mas apegou-se ao dinheiro, aos seus interesses, a si mesmo. Por não responder bem, o patrão lhe pede contas. Assim, ele se põe a questionar o que seria dele, pois não era apto a outro ofício. Diante deste questionamento, o administrador chama os devedores de seu patrão a fim de diminuir as dívidas destes e encontrar auxílio quando estivesse desempregado. E Jesus encerra esta parábola com o elogio do patrão à esperteza do administrador. Frei Gabriel de Santa Maria Madalena diz que “ao propor esta parábola, Jesus não pretende louvar a astuta desonestidade do administrador que qualifica de iníquo; o que quer é realçar-lhe a sagacidade em garantir seu futuro”. Tal realidade ilustra a nossa vida em Deus e por isso Jesus compara a esperteza dos filhos deste século com a dos filhos da luz.

Quando não levamos a sério a Vontade do Senhor como Jesus fazia, o nosso coração fica fora de Deus e somos infiéis aos planos que Ele tem para nós. Gastamos os nossos esforços em buscar outra coisa que não é o Senhor e quando formos chamados junto a Deus, poderemos correr o risco de não habitar nas Moradas Celestes. E é por isso que Jesus nos exorta a sermos espertos.

Se agimos mal e adquirimos riquezas injustas, somos chamados por Deus a voltar o nosso coração a Ele e te-Lo como Senhor e a transformar a riqueza injusta, o mal realizado, em bem. Da mesma forma em que Deus tira o bem até do mal, somos chamados a tirar o bem das riquezas injustas que amontoamos.

 Não se trata de falsidade, mas de conversão. Conversão, pois o Senhor quer que todos nós habitemos junto a Ele e por isso convida-nos a agir com sabedoria e transformar o mal feito em bem. Este é o convite, meus irmãos e irmãs: gastai as suas potências antes dispersadas com o mal e esforçai-vos em agir com Amor a favor do Bem. Que Deus seja o Senhor dos nossos corações!

Autor:

Henrique Almeida - Consagrado
Membro do Ministério de Formação Santa Teresa de Ávila e Santo Inácio de Loyola
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