Desce Depressa

O Evangelho deste domingo representa muito de nossa vida no caminhar em direção ao Senhor. Como Zaqueu, muitas vezes nos encontramos ávidos em ver Jesus. Mas é só isso! Queremos vê-lo e saber quem Ele é assim como vemos outras pessoas no nosso dia a dia. Por isso, nós nos apegamos à nossa baixa estatura, ou seja, ao nosso medo, falta de compromisso, apego a riquezas etc. Mas Jesus não quer só passar diante de nós. Para Ele, nós valemos muito mais do que toda a nossa riqueza, sabedoria ou qualquer outro valor passageiro.

Sendo assim, ao chegar diante de nós, que queremos vê-lo, é Ele quem nos olha, quem nos chama pelo nome e quem dá a ordem: “Desce depressa”. “Depressa” porque Ele tem um desejo enorme de entrar em nossa vida, de fazer morada em nossa casa para que aí entre a salvação. É preciso entender que a salvação não é uma conquista a custa de nossas forças. É um dom gratuito que o Senhor nos oferta pela sua presença em nosso meio.

Tudo o que fazemos só é possível por graça de Deus. É claro que há a nossa disposição, a nossa abertura. E isso é muito importante. Mas tudo isso só é possível porque Ele nos concede a graça de poder fazê-lo. O amor de Deus é tão grande e Ele nos ama tanto que não se contenta com pouco. Não se contenta em passar diante de nós. Ele quer fazer morada, por isso, é urgente o seu pedido, a sua ordem.

“Desce de depressa” tem outro significado importante. Para encontrar com o Senhor não podemos continuar na altura da nossa segurança, da nossa certeza. É preciso descer com a urgência de quem tem necessidade de ser amado e, por isso, amar. O “desce” proclamado por Jesus a Zaqueu e a cada um de nós, implica em uma decisão por deixar para traz o que nos prende: os bens acumulados, riquezas conquistadas, sabedoria ostentada. Tudo isso que nos serve de pedestal precisa ser deixado para que nos encontremos com o único tesouro necessário: a salvação!

Desce depressa para encontrar a vida, pois é isso que o Senhor quer te conceder; desce depressa para se saber amado, pois o que até então tens como amor e riqueza não é mais que restos; desce depressa para que a tua vida não seja mais a mesma e, de homem e mulher distante do Senhor, que se contentava em vê-lo passar, torne-se homem e mulher de fé, prontos a tudo fazer para que o Amor seja amado e que a verdadeira riqueza seja conquistada.

O encontro de Zaqueu com Jesus foi o início da vida nova experimentada por aquele homem de baixa estatura que ao comprometer-se com o Senhor torna-se grande no amor e na decisão de viver uma vida na presença do Senhor. É isso que o Evangelho quer despertar em nós: o desejo e a disponibilidade de vivenciarmos uma mudança que nos leve a tomar uma vida nova construída sobre o encontro. Encontro amoroso com Aquele que muitas vezes contentamos em ver passar, mas que quer continuamente entrar em nossa casa. Encontrar-se com Jesus é permitir que a Graça nos alcance e assim tomemos para nós o chamado de construirmos uma vida de santidade.

 

Autor:

Arley Humberto - Anawin
Membro da Comunidade de Vida

 

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