Desejo do Eterno

     Desde o princípio, o ser humano manifesta dentro de si o desejo pela eternidade. Almeja descobrir o princípio da vida e do universo, aspira à eterna juventude, quer viver anos a fio e teme a morte. O ser humano deseja a eternidade, pois dentro dele há uma força maior, o próprio Deus, que o impulsiona a voltar-se para Ele, que é o Eterno.

     É o próprio Jesus que declara no Apocalipse de São João: “Eu sou o Alfa e o Ômega, Aquele que é, que era e que vem” (Ap1,8). Mas nós somos lentos e demoramos a entender isso. Buscamos compreender a nossa vida no tempo que passa. Queremos ajuntar bens materiais, dinheiro, honra, fazemos diversas plásticas a fim de manter a aparência jovem. Rejuvenescemos o corpo, mas envelhecemos a alma com coisas que passam, com tesouros que os ladrões roubam e que as traças corroem.

     O Evangelho do último domingo nos leva a meditar sobre este sentido de eternidade: “Fazei para vós bolsas imperecíveis, um tesouro inalterável nos céus”. Tudo o que ajuntamos na terra são bens que passam, pois somente as coisas do céu são eternas. No Gênesis, quando contemplamos o relato do paraíso, Deus exorta a Adão e Eva a não comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois morreriam.

     Pelo pecado original, hoje experimentamos a morte e pela concupiscência somos inclinados ao espírito da carne, ao que passa. É diante dessa realidade que o Eterno, Deus, entra no tempo por meio da encarnação de Jesus, pois foi do agrado do Pai dar-nos o Reino (Lc 12, 32).

    O Eterno entra no tempo para abrir para nós as portas da eternidade. O tesouro das coisas do alto são mais valorosas, enriquecem-nos sobremaneira, mais do que podemos ajuntar de bens.

    O nosso coração precisa ser preenchido daquilo que nos dá verdadeiro sentido da vida, que nos leva à santidade. Após a exortação para buscar o que é eterno, Jesus nos chama à atenção para a vigilância daquilo que nos leva a ser santos, a Vontade do Senhor.

    Somos sentinelas do amanhã, como nos ensina o saudoso João Paulo II e devemos estar no tempo como cidadãos do céu. Começamos a viver o Eterno na terra se vigiarmos em Deus e ajuntarmos tesouros na casa do Pai. Jesus nos veio ensinar com sua própria vida a buscar o Reino dos Céus, ofertando-se por nós na Cruz, por Amor.

    O Amor é o sinal maior da eternidade e, por isso, Jesus nos veio revelar o amor do Pai. São Paulo nos exorta dizendo que subsistem três coisas: a fé, a esperança e a caridade, porém, a maior delas é a caridade. Isso porque na vida eterna não precisaremos da esperança, pois encontraremos Aquele a quem esperamos. Não necessitaremos da fé, pois veremos Aquele em quem acreditamos. Somente o Amor permanecerá, porque estaremos diante de Deus, que é Amor.

    Se o nosso tesouro estiver no que é Eterno, ali estará o nosso coração. Dessa forma, nossa vida falará. A boca fala do que o coração está cheio. Precisamos transbordar o que é eterno em nossa vida enquanto vivermos sobre a terra e, assim, começarmos a construir a Civilização do Amor.

    Devemos nos firmar nesse compromisso: não termos medo de dar o que temos, para possuirmos um tesouro imperecível. O ser humano precisa redescobrir a verdadeira eternidade, para que com a alma sempre jovem seja sinal no mundo da vida que o Senhor veio anunciar.

    Gostaria de encerrar com o versículo final do Evangelho que diz: “A quem mais é dado, mais lhe será cobrado”. Jesus nos dá a conhecer o que é Eterno a fim de que vivamos à luz da eternidade que ele veio nos dar.

Autor:

Henrique Almeida - Anawin Membro do Ministério de Formação
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