Cristiane Liberato - Comunidade Arca da Aliança

Cristiane Liberato, Cris, é natural de Joinville em Santa Catarina. Consagrada há 10 anos na Comunidade Arca da Aliança, é celibatária e responsável pela casa de Missão da comunidade em Montes Claros.
1. Cris, Como foi seu despertar vocacional?
Nasci em um berço cristão católico não muito participante. Na minha infância ia com freqüência a um sítio da família e lá minha tia sempre me levava às celebrações. Foram nessas celebrações onde começou o meu despertar vocacional. Quando na idade de catequese eu decidi participar das reuniões, os meus pais foram comigo. Envolvi-me com a música e mais tarde me engajei em um grupo de oração de onde a comunidade Arca tinha saído. Mesmo participando desse grupo, não houve um “desabrochar”. Após a minha Crisma eu senti um apelo vocacional, mas não sabia para onde ir. Namorava e estava me decidindo qual curso de faculdade tentar, mas havia uma inquietação de que aquilo não era suficiente. Em certo dia, fazendo uma limpeza no local do grupo, encontrei uns documentos antigos (atas e tudo mais) e naquele momento começou um despertar vocacional. Fui para o encontro de carnaval da comunidade bem aberta e em um dado momento um jovem que pregava, quando terminou, desceu do palco e logo pegou um banco para levar para praça de alimentação. Aquilo me chamou à atenção, pois eu vi ali uma entrega verdadeira de ser e não fazer. Comecei a procurar algo que tomasse toda minha vida, queria entregar minha vida e encontrei na Arca essa possibilidade.
Na época eu tinha 16 anos, estava namorando e, embora não tivesse a idade certa, fui para o encontro. Chegando na comunidade eu vi essa possibilidade de entregar toda minha vida. Não fui para a comunidade para encontrar um palco (a comunidade nem sabia que eu cantava). Fui por um sentido vocacional. Era março de 2000. Naquele primeiro encontro eu senti que a Arca era meu lugar. Voltei logo em seguida, terminei o meu namoro e comecei a me preparar mesmo para sair de casa. Deixei o emprego, os estudos, não tinha nem terminando o ensino médio e, em novembro daquele mesmo ano, entrei na comunidade. Continuei estudando e fui fazendo a minha caminhada vocacional. Desde sempre fui muito acolhida pelo nosso fundador. A minha vocação precisava passar muito por ele por eu ser muito jovem, muito nova. Ele me acompanhou muito de perto e aprovou minha entrada, mesmo sem completar dezoito anos.
2. Você encontrou muita resistência em sua família?
Tive algumas dificuldades familiares justamente por ser muito jovem, mas não foram dificuldades que me impediram de ir para a comunidade. Minha mãe teve mais resistência e meu pai me deixou muito livre para decidir. Foi difícil para mim, pois eu era muito apegada ao meu pai, então sua opinião contaria muito para mim. Perguntei o que ele achava e ele disse que se eu me achava madura era para eu mesma decidir o que eu quisesse. Isso foi difícil, mas eu decidi pela comunidade e não me arrependi. Já faz 10 anos, acho que aproveitei muito mais minha jovialidade, ainda aproveito. Descobri muitas coisas na comunidade, cresci, encontrei muitos dons. Até então eu achava que só sabia cantar e na comunidade eu aprendi várias coisas que superaram o canto, coisas que para mim eram muito importantes e que hoje não são grandes coisas. A vocação é uma descoberta e uma decisão de todos os dias, porque não é um caminho fácil. A porta é estreita, como diz o Evangelho e envolve decisões a tomar. Mesmo nós mais velhos estamos na caminhada nos convertendo, nos trabalhando. Contudo, é um caminho de muita alegria. Eu sinto que encontrei o meu lugar, encontrei o sentido da minha existência. Não sem dor, não sem sofrimento, não sem dias difíceis, mas eu encontrei o meu lugar.
3. Fale um pouco sobre a comunidade, sobre o fundador e sobre o carisma da Comunidade Arca da Aliança.
A comunidade está vivendo um tempo muito especial. Comemoramos ano que vem o jubileu de fundação, um momento muito especial pra nós. Ganhamos neste ano de presente, sem esperar, o diaconato de nosso fundador. Ele é celibatário e no seu momento de conversão tinha 21anos. Com 25 anos fundou a comunidade e agora foi convidado para ser diácono. Ainda não tínhamos um ministro ordenado em nossa comunidade, embora haja essa abertura aos jovens que se sintam chamados ao sacerdócio. O primeiro ministro ordenado então foi nosso fundador, um grande presente de Deus.
O nosso carisma é ser presença de Deus. Essa é a grande palavra de dimensão da Arca da Aliança do Antigo Testamento e Arca da Aliança do Novo Testamento. A Arca do Antigo Testamento era uma arca de madeira que continha os elementos da aliança. Maria, engravidando-se do Verbo se faz essa nova Arca da Aliança. Então, é essa presença de Deus. A Arca indo na frente do povo para nós tem muito essa dimensão da presença. Muitas comunidades são chamadas a servir a Deus na área da saúde, na área da educação, arte... Nós sentimos que nosso apostolado não se limita a um apostolado, mas ele depende da necessidade local, do momento. Ele se dá nessa dimensão da presença. Onde estiver, seja numa sala de aula, num ponto de ônibus, no evento... Nós estaremos lá como presença de Deus. Nas outras casas nós temos uma rádio, temos um albergue para pessoas viajantes, trabalhamos com eventos de formação (trabalhamos muito nessa área de formação com o Catecismo), atendimento de oração, com a juventude, temos o projeto do Instituto de Educação em Joinvile que já funciona...
Nós temos hoje casa em Joinvile, Blumenal e Araguari, que abriga o discipulado. Hoje temos membros de vida e de aliança e aqueles que fazem parte dessa obra. Em Montes Claros haverá a consagração de 4 novos membros de aliança, que em vista da sua entrega e doação vão se tornar aliança jubilar.
4. Como se deu seu discernimento do estado de vida?
Um elemento forte do nosso carisma é a vida fraterna. A gente costuma dizer que para aprovar um candidato à comunidade nós não olhamos capacidade intelectual, missionária e nem mesmo de oração, mas de vida comunitária. Isso é muito embasado em Santo Agostinho, que trabalhava muito a questão da amizade fraterna. A vida comunitária para nós é um grande bem que nós prezamos muito. Prezamos com muito zelo tomar café da manhã juntos, comer... A partir dessa vida comunitária e da vida de oração é que brota essa gama de trabalhos para manifestar o carisma e dentro dessa questão brota os estados de vida. O discernimento do estado de vida é dado livremente. A comunidade não influencia em nada, mas dentro da formação permanente trabalha todos os estados e cada um, em seu tempo e de maneira livre trabalhada esse tema. Quando entrei para a comunidade ainda não pensava nos estados de vida, mas tinha uma tendência para o matrimônio. Vim de uma família muito boa, que foi um ótimo exemplo para mim. Após o meu discipulado eu fui percebendo em mim a tendência para o celibato a partir das minhas canções, meu jeito de falar, de rezar... Vivenciar o celibato tem sido um desafio cheio de alegria e satisfação. Logo que me consagrei vim para cá e aqui eu firmei a maternidade de celibatária.
5. Como a Comunidade vê a casa de missão de Montes Claros?
Montes Claros é para nós uma meninas dos olhos, o norte de Minas é uma terra vocacional com muita necessidade de evangelização...
6. Nós agradecemos a sua participação e pedimos que deixe um recado para os nossos internautas.
Em primeiro quero dizer que a busca vocacional é muito importante. Cada vez mais a gente encontra pessoas tristes com a vida, pessoas até com alta realização profissional. A verdadeira felicidade se dá a partir da escuta de Deus, não temendo ouvir essa resposta. As oportunidades são muitas e para aqueles que se interessarem, há um lugar para você aqui na Arca, com qualquer idade... Temos um site e você pode obter lá nossos contatos e quem sabe descobrir aí sua vocação, como eu descobri, e ser então muito feliz.






