Henrique Almeida Neves

Henrique Almeida, anawin na Comunidade Filhos de Maria, nasceu em 20 de abril de 1985 em Brasília – DF, mas reside desde 1987 em Montes Claros. É graduado em Serviço Social pela Universidade Estadual de Montes Claros. Atualmente, é membro do Conselho Comunitário, pertence ao Ministério de Formação Santa Teresa de Ávlia e Santo Inácio de Loyola e é coordenador dos Apostolados da Comunidade Filhos de Maria.
1. Fale-nos sobre sua primeira experiência com o Amor de Deus. Quais foram as conseqüências daquele momento em sua vida?
Considero a minha primeira experiência com o Amor de Deus não um momento específico e certo, mas sim um período de minha vida durante a adolescência. No meu Ensino Médio, entre os 15 e 17 anos de idade, quis revolucionar a minha vida de forma um tanto imatura na qual encontrei somente o vazio de mim mesmo. Sempre fui reservado, um tanto tímido, e no período de minha adolescência, não gostava muito da imagem que tinha de mim, pois não me considerava aceito pelos outros, principalmente entre as meninas. A figura de nerd me perturbava e, sendo assim, queria me livrar dela e me tornar mais popular! Com quinze anos, havia ficado apenas com uma pessoa e, apesar de querer namorar (nunca gostei muito de ficar), quis me adaptar as conveniências do mundo. Então comecei neste período a beber com mais freqüência e em quantidade para tentar me livrar da timidez, me tornei mais comunicativo dentro da sala de aula e passei a bagunçar com os meus colegas, e saia muito com os meus colegas para as festas. Era difícil ficar em casa! A minha convivência com os meus pais também não era boa, era muito ignorante e respondia com bastante brutalidade a eles. Vivi assim esses anos! Mas em 2002, quando fazia o 3º Ano, comecei a sentir um vazio em mim! Era um vazio que já havia experimentado antes, pois vez ou outra me sentia assim. É bom ressaltar que me questionava sempre que não sabia amar. Para mim, não amava minha família, meus amigos, mas ao mesmo tempo sentia um desejo latente do Amor. Por isso, pensava em namorar. E nesse ano, o vazio se tornou mais forte. Não me reconhecia e para mim, eu não estava sendo eu mesmo! Conversava sempre isso com uma amiga, e repetia isso a ela, mas não conseguia explicar. Foi então que escutei o primeiro grito de Deus em minha vida: minha mãe sempre me ensinou a participar da missa e, então cultivei o hábito em minha adolescência. E durante uma missa no Orfanato, no final da celebração, o padre chamou a frente alguns italianos que se encontravam na assembléia. Ele disse que eles haviam vindo para auxiliar na construção de um centro de apoio a crianças e adolescentes. Nesse momento, fiquei inquieto. Como aquelas pessoas saiam de tão longe para vir ajudar aqui no Brasil e eu, morando aqui, não fazia nada. Então conversei com um grande amigo, Jáson, e no final da celebração fomos ao encontro de uma das irmãs e acertamos dar aulas de inglês para algumas crianças que moravam no orfanato. Assim comecei! Aqueles momentos me preenchiam e me faziam comprometer com o Amor. Mas ainda continuava a ir nas festas! E nesse mesmo ano fui convidado por Jáson a participar do encontro do NEC, pois ele já tinha participado e eu havia prometido que no próximo eu iria. Então, nos dias 07 e 08 de setembro, participei do Encontro do NEC. Durante o encontro, gostei muito das pregações, dos momentos de oração e de animação que me contagiavam, das pessoas que conhecia. Naqueles dias percebi algo diferente: que não precisava continuar a viver da mesma forma! Os altos ideais propostos pelo Evangelho me preenchiam e me faziam comprometer-me diante de Jesus. Foi o momento de minha primeira adoração, pois não conhecia e nem sabia desta prática. E foi naquele momento, diante de Jesus Sacramentado, que experimentei do Amor de Deus e todo o meu questionamento acerca do Amor, encontrou sua razão no próprio Amor.
2. Como a Comunidade entrou em sua vida e o que ela significa para você?
A Comunidade esteve presente desde o primeiro momento em que fui participar do Encontro do NEC. No dia em que fui pegar a ficha, Alysson, co-fundador da Comunidade, estava pregando e, ainda por cima, sentei-me ao lado de Marcos, hoje discipulado de 2º ano, e ele me falava muito da Comunidade. Não me importei muito, não sabia nem do que ele estava falando porque não conhecia a realidade que era apresentada. No encontro, Érika pregou e foi uma das pregações que mais gostei. Mas era muita novidade e não conseguia processar tudo. Quando o encontro acabou, Jáson, que gosta muito de desenhar, quis participar do Evangelizarte que na época era o ministério de dança e teatro da Comunidade. Combinamos de ir juntos ao Centro de Evangelização da Comunidade e demos os nossos nomes para participar do ministério. E na sexta, dia 13 de setembro, fui na minha primeira reunião. Eram só surpresas. Primeiro, o ministério não explorava muito as artes visuais e sim, a dança. E este foi o meu primeiro apostolado na Comunidade. Era muito engraçado, pois não conhecia ninguém na época e fui entrando aos pouquinhos. Não sabia nada sobre Comunidades nem que existia coisa semelhante. As pessoas me perguntavam as coisas e não sabia responder. Então para mim foi um período de descobertas. Sentia-me fascinado pela realidade, por dançar, pelas novas pessoas que conhecia por tudo o que me era apresentado. Começamos a ensaiar para o 5º Maranathá e cada vez aumentava meu Amor por Jesus e pela Comunidade. Naquela época, a Comunidade ofereceu alguns cursos sobre ministério de Cura Interior, Intercessão, Afetividade e Sexualidade e Sagradas Escrituras e comecei a participar de tudo para conhecer. Fiz a minha primeira vigília no dia dos Santos Arcanjos, participei de meu primeiro teatro, e o Senhor me atraía mais e mais. Nesta época, afastei-me de tudo o que fazia de mundano e aprendi a freqüentar a missa diariamente, confessei, iniciei a prática da oração pessoal e do santo terço. Nesta explosão de experiências, duas coisas me atraiam: a vida fraterna e o Carisma. Na vida fraterna, vi a vida que Deus escolheu para mim, de comunhão e unidade. E no Carisma de ser no mundo a manifestação do Amor Misericordioso do Pai, encontrei minha identidade, aquilo que Deus me chamava a ser apesar da minha descrença em relação a mim mesmo acerca do Amor. No carisma, encontrei a salvação que Jesus me oferecia e vi que por meio dele é que alcançaria a verdade sobre mim mesmo. E é isto que a Comunidade significa para mim: é o lugar que Jesus escolheu para mim, dentro da Igreja Católica, para ser o que devo ser, é meu lugar de identidade, meu lugar de santificação, no qual sendo um com os meus irmãos e irmãs, revelaremos a face Misericordiosa do Amor do Pai. Acredito na Comunidade Filhos de Maria e na sua missão e darei a minha vida por ela.
3. Como é a sua relação com Érika Vilela, fundadora da Comunidade?
Meu relacionamento com Érika é bastante filial. Amo muito a minha fundadora e encontro no coração dela os mesmos anseios do meu coração, então posso crer cada vez mais na minha vocação. Converso muito com ela e freqüento bastante a sua casa e ao ouvir as suas alegrias, tristezas, esperanças e sofrimentos, é para mim sempre um momento de ensino, um momento de conhecimento de seu coração, um momento de beber da fonte do Carisma. Em tudo, busco ser para ela um suporte e um auxilio para deixar sua missão mais leve. Vejo a sua preocupação com cada um de seus filhos espirituais e sei o quanto ela dá a sua vida pela Comunidade. Por isso, busco sempre nela esta relação de filiação, estando disponível para tudo e atento aos seus conselhos. Estar próximo me faz ver acima de tudo o Amor que Érika tem por Deus e, assim, me faz desejar amar mais a Ele.
4. Você hoje é consagrado na Comunidade Filhos de Maria. Em uma pergunta muito pessoal, teria algum plano futuro que você possa partilhar.
Não costumo fazer muitos planos pessoais. Sonho muito e luto por eles. Sonho com o crescimento da Comunidade na resposta a Deus e em tudo aquilo que Ele realizará em nós, como obra de Seu Amor. Sonho com mais irmãos e irmãs que irão chegar, com missões a serem abertas, com trabalhos a serem feitos, com almas que irão ser salvas por meio deste Carisma, desta Vocação. E são nestas perspectivas e naquilo que hoje o Senhor me chama a viver pessoalmente que vou realizando, buscando colocar sempre o olhar nEle. Quero me entregar em tudo aquilo que o Senhor me propor pela Comunidade, para que neste Carisma eu possa entregar minha vida.
5. Atualmente, você é coordenador da Casa Mãe de Misericórdia. O que é esse projeto e quais são os meios materiais e espirituais utilizados para atingirem seus objetivos?
A Casa Mãe de Misericórdia é uma clínica de atendimento clínico para famílias carentes, proposta da Comunidade Filhos de Maria para transbordar o nosso Carisma na vida de cada um daqueles que se aproximam de nós e para servir Jesus na pessoa do pobre e do enfermo. Assim sendo, o principal objetivo é a evangelização com o conhecimento da pessoa de Jesus e o Amor na acolhida para que nosso atendimento seja diferenciado. Os meios que utilizamos para atingir esses objetivos é o próprio atendimento na saúde. O atendimento na saúde não é o fim da nossa ação, e sim o meio pelo qual a saúde se torna não somente um cuidado com o corpo, mas também com a alma. Nossos meios são o atendimento médico, psicológico, social e espiritual e são eles que atraem nosso público-alvo. A estrutura de clínica que o Senhor nos propiciou montar como os consultórios, nos faz experimentar de credibilidade por parte de nossos pacientes, voluntários, clínicas e laboratórios que nos auxiliam, é parte fundamental para que o Evangelho possa chegar na vida de muitas pessoas. A missão da Casa e a sua espiritualidade propicia a Comunidade um transbordamento da Misericórdia de Deus na humanidade.
6. Sobre o site, o que você pensa desse novo projeto abraçado e aproveitando o ensejo, deixe um recado para todos os nossos internautas, aqueles já amigos, os que ainda não o são, os colaboradores. Enfim, todos os que nos acompanham.
A internet como meio de comunicação deve sempre ser utilizado para o bem, em especial, para a evangelização. Então, para mim, é de fundamental importância o esforço de todos os responsáveis por ele, pois o mesmo tem a responsabilidade de anunciar o Reino por meio de nosso carisma. Parabenizo a Alysson, Arley e Mirla que se dedicam a este apostolado. Queria dizer a cada um que nos acompanha que possam amar sem cessar. O mundo necessita conhecer o verdadeiro significado do Amor que somente Jesus nos pode ensinar. Amar a Deus e ao próximo, creio que deve ser as palavras que devem ser ditas e que devem ecoar em nosso viver para que toda a humanidade possa experimentar do Amor Misericordioso de Deus.






