Marcelo Eduardo Pereira Santos - Anawin Filhos de Maria

Marcelo Eduardo Pereira Santos
Anawin da Comunidade Filhos de Maria
Ministro de Música e missionário em Jerusalém
1. Marcelo Eduardo, como aconteceu seu encontro pessoal com Deus no Carisma Filhos de Maria?
Eu venho de uma família “católica”, dessas pouco praticantes e minha mãe rezava o terço nas casas. Acredito que como diz nossa oração vocacional isso já era marca do assinalar de Deus em mim para a vocação Filhos de Maria... Na minha adolescência uma família muito amiga da minha nos apresentou um grupo Missionário da Paróquia São Norberto. Em 1997 fiz o encontro de Jovens Missionários e me tornei membro do grupo. Trabalhei nos encontros seguintes em várias equipes... cheguei até a fazer palestras lá. Naquela época, a RCC começou a me despertar o interesse e comecei a buscar grupos de oração, encontros, retiros... Nesses eventos, começamos eu e meu Carisma a trocar olhares. Confesso que não foi amor à primeira vista, mas incômodo, isso sim. Lá estava o grupo dos primeiros de nossa Comunidade. Sempre alegres,com um ânimo próprio da juventude e dos que buscam a Deus.
Em 1999 fazia o ensino médio pela manhã, trabalha à tarde para pagar o curso de Auxiliar de Enfermagem que eu fazia à noite. Nesse meio tempo, entre o trabalho e as aulas do curso eu ia à Missa das 18:30h na Catedral e lá também estava a Comunidade. Era lindo ver no rosto dos meninos a alegria de pertencerem a Deus... Parecia que a qualquer hora iriam explodir de amor a Deus e à humanidade.
Nesse mesmo ano participei do Rebanhão e lá, num momento de oração intensa, senti e tive uma visualização de um grande plano que Deus tinha pra mim e que isso me custaria passos largos que me seriam dolorosos, mas seria a caminho da realização da minha vida Nele.
Ainda munido desta monção, conversei com Érika. Mesmo com meu jeito meio arrogante, falei com ela do “grande plano de Deus pra mim”. Desde então, comecei o meu processo formativo na Comunidade e nos apostolados. Já faz 12 anos. Graças a Deus!
2. Há 6 anos você consagrou a sua vida nesta vocação. Fale de seu rhema e como você o experimenta a cada dia.
Isso é meio complicado, mas vou tentar. Meu rhema “Busco o santo na expectativa do Eterno. Santidade sempre!” me acompanha já há bastante tempo. Essa inspiração o Senhor me deu diante de muitas situações que pude vivenciar em que o desejo do Céu me motivava e eu só poderia alcançá-lo se me esforçasse em ser santo já aqui no cotidiano da minha vida como um todo: família, estudos, trabalho e, sobretudo, na vida fraterna na Comunidade. Ainda como eco do “Procure e encontrarás” do Evangelho, eu me decidi por buscar a santidade assim. Sei que não é fácil, mas a graça me vem Daquele que me chamou!
Entendo que, mais latente na minha vida, mais palpável é a parte do “Santidade sempre!”Diante de situações em que posso me omitir ou calar a presença do evangelho que está em mim, lembro-me do meu rhema e o faço valer naquela situação. Quando me é dada a possibilidade de fazer a minha vontade eu me valho do meu rhema e sei onde perfeitamente ele se enquadra e calo a minha vontade para fazer a de Deus, mesmo no silêncio de ações sutis que jamais serão reconhecidas ou recompesadas, as quais faço de coração. Aqui está o evangelho, a santidade, o meu rhema.
3. Há poucos dias celebrávamos seus compromissos definitivos. Partilhe um pouco sobre este momento.
Hoje essa expressão “compromissos definitivos” tomou o lugar de “Pai, sou Eu!” Quem me conhece sabe tudo que vivo e canto na letra dessa música. É a mesma coisa com os compromissos. Já estavam em mim, mas precisavam ser formalizados definitivos. É um tempo novo pra todos nós Filhos de Maria. Sinto-me muito feliz, realizado. Não estou perfeito, mas estou no caminho certo. Isso eu sei e me orgulho. Nas palavras de Sta. Teresinha, nossa baluarte: “Aqui Deus me plantou, aqui devo florir”. Eu amo minha Comunidade e o mundo não me caberia fora dela.
4. Nos dias 3, 4 e 5 de junho de 2011 aconteceu o IX Congresso Catholic Fraternity Communities. Fale um pouco da sua experiência nesse congresso.
Nesses congressos a gente bem que deveria ir com uma concha! É uma oportunidade ímpar de experimentar novos Carismas e confraternizar com as demais Comunidades. Pessoalmente, a grande verdade que ouvi lá foi a seguinte: “A profeta da minha Comunidade já está aqui. Minha fundadora”
5. A missionaridade sempre foi um traço marcante em sua vida. Hoje, como nunca, temos precisado de corações que se disponham a essa realidade. Fale um pouco sobre isso.
Essa é só mais umas de nossas marcas. Deus nos chamou e nos uniu por termos traços comuns. Ser missionário Filho de Maria tem uma relevância tremenda na minha vida. Bem recentemente, percebi que não só a realização pessoal na missão, mas, em mim, a missionariedade é um método de agradecimento à minha Comunidade. O ministro de música, o pregador, o coordenador, o homem que me tornei foi a própria Comunidade que me fez. Mostrou-me o caminho e digo mais: levou-me e me leva pela mão. Sou muito grato por tudo isso!
6. Deixe um recado ao nosso internauta.
Abra-se à voz de Deus que grita em seu coração! Em cada um de nós há um incômodo que só vai ser sanado quando nos colocarmos a caminho da realização daquele que nos chamou e quer que voltemos o quanto antes para Ele. Portanto, volte! Venha ser feliz ao lado do Senhor! “Cada pessoa é uma vocação...”
7. Ainda falando de missão...você é um dos membros recentemente mandados em missão. Como é para você ser missionário? O que você está deixando para trás?
Nossa! Essa nova missão me tem exigido um tanto mais que as demais que já realizamos até hoje. Pessoalmente, tem promovido rupturas e colocado em xeque questões que pra mim sempre foram muito preciosas e que agora, em nome da missão e em obediência eu renuncio como, por exemplo, deixar trabalhos e abraçar novas realidades comunitárias. Outro parto doloroso é deixar os meus. Já não moro mais com eles, mas estando na mesma cidade é mais fácil assisti-los. Estando fora, em missão, isso não poderá ser tão efetivo da minha parte. Então, precisarei mais uma vez confiar os meus a Deus através dos irmãos da Comunidade que ficam aqui. Existem outras dores menores, mas nem merecem ser mencionadas. Quem me chama é maior que todos e tudo isso. Não vou por mim, vou por Cristo! Anunciá-lo através do Carisma que ele me deu, me chamou, me consagrou! Ah... já descobri um anestésico: o desafio! Tudo novo, diferente do que temos, mas é ao mesmo Cristo que servirei! Sinto que essa missão é só a ponta do iceberg de algo muito grande, especial que Deus tem para realizar em nossa Comunidade e na vida pessoal de cada missionário.
Autor:
Alysson Figueiredo - AnawinCo-Fundador da Comunidade Filhos de Maria






