TESTEMUNHAS DE CRISTO NO MUNDO

3ª catequese: TESTEMUNHAS DE CRISTO NO MUNDO

 

1. O mundo de hoje, incluindo os países de antiga tradição cristã, é uma verdadeira terra de missão. Bento XVI nos exorta a promover uma nova evangelização. “Evangelizar”, ensinava o Papa Paulo VI, “é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 18). “Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados” (EN, 22).

 

2. Cada batizado é chamado a essa missão. “Cada” significa, concretamente, também eu; também você. Evangelizar é uma obrigação e uma graça: “Não se pode viver a fé em Cristo sem dar testemunho dele, porque a fé se fortalece à medida que se dá” (João Paulo II, RMi 2).

 

3. Bento XVI convoca os jovens a serem protagonistas desse novo impulso missionário; a dedicar sua vida para testemunhar o amor de Cristo a todas as pessoas, mesmo porque não vivemos em um mundo que poderíamos chamar de cristão. Num passado não muito distante, o ateísmo era mais filosófico. As idéias dos filósofos ateus continuam influenciando as gerações. Ao lado desse ateísmo, havia e há o ateísmo prático: vive-se como se Deus não existisse. Surge, agora, em nosso tempo, o ateísmo combativo. Seus “profetas” veem Deus como alguém que tira a alegria da vida. Desejam, pois, criar umasociedade, melhor, um paraíso sem Ele. O Papa Bento XVI, em sua Mensagem para esta Jornada, nos lembra que a História da humanidade nos mostra que um mundo sem Deus se transforma em um “inferno”, no qual prevalecem o egoísmo, o ódio, a falta de amor, a ausência de alegria e de esperança. Já quando os povos acolhem a presença de Deus, o adoram e o escutam, nasce a civilização do amor.

 

4. Para responder aos apelos do Papa Bento XVI, os jovens precisam do apoio da Igreja e podem se inspirar no testemunho dos santos e dos mártires. Os santos descobriram que a Cruz de Cristo é a força para se doarem aos outros e para vencerem as próprias limitações e fraquezas.

 

5. Como um jovem pode ser testemunha de Cristo, hoje? Qual espiritualidade o norteará e dará sustentação à sua vida? Enfim, como ser discípulo de Jesus? Ele mesmo lhe responde: Vinde a mim... sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração (Mt 11,28-29). Trata-se, pois, de entrar na Escola de Jesus e aprender com ele próprio.

 

6. Para viver radicados e edificados nele, podemos levar em conta dez lições dessa Escola (cf. Agostino Martini, OFM, Il decálogo evangelico per Il discepolo di Gesù – um cammino pieno di luce – citado na revista Testimoni, Bologna, 11/2011, p.8-10).

 

7. 1ª lição: Acreditar e anunciar Deus como “amor”. De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna! (Jo 3,16). O discípulo de Jesus deve viver cada dia convicto de que o amor de Deus o envolve em todos os momentos e em qualquer circunstância. Devem ser afastados, pois, os sentimentos de medo, porque no amor não há temor (1Jo 4,18). É preciso deixar-se reconciliar por Deus diante das próprias infidelidades e render-lhe

graças por seu amor. Quem vive assim, sente necessidade de testemunhar que Deus é

amor, que todos são amados por Deus.

 

8. 2ª lição: Adorar a Deus em espírito e em verdade (cf. Jo 4,21-24). Trata-se de tomar consciência de que o coração humano é o lugar por excelência no qual Deus deve ser adorado; fazer-se servo do Senhor, totalmente dedicado a executar seu plano de amor, como Cristo, que adorava o Pai e procurava em toda circunstância fazer sua vontade; escutar e colocar em prática a palavra de Jesus; dar diariamente espaço à oração; alimentar-se da Eucaristia, para que a própria vida seja um ofertório permanente em favor da Igreja e do mundo; confessar Jesus Cristo como caminho, verdade e vida e ter sempre diante de si a palavra de Jesus: Quem não está comigo, é contra mim, e quem não recolhe comigo, espalha (Lc 11,23).

 

9. 3ª lição: Acolher o Reino de Deus como uma criança. Para isso, colocar-se diante de Deus como um servo inútil, reconhecendo que tudo provém de Deus, tudo é obra Sua. Estar atento à tentação da auto-suficiência: Sem mim, nada podeis fazer! Ter o coração aberto diante de Jesus, pronto a deixar-se conduzir por ele; um coração reconhecido, que continuamente lhe diga: “Obrigado, Jesus!”

 

10. 4ª lição: Fazer tudo para a glória de Deus, segundo o exemplo de Jesus (cf. Jo 17). Perguntar-se continuamente: o que agrada a Deus? Jesus nos ensina: agrada a Deus viver na fidelidade à sua Palavra; colocá-la em prática; colocar Deus no centro da vida, para que ele seja glorificado em tudo (cf. 1Cor 10,31; Cl 3,25; 1Pe 4,11). Deus quer que produzamos fruto (cf. Jo 15,8); que nossa luz brilhe diante dos homens, para que Ele seja glorificado (cf. Mt 5,16); que sejamos um grão caído na terra, que morre para dar a vida. E repetir constantemente os três grandes pedidos do Pai nosso: santificado seja o Vosso nome; venha a nós o Vosso Reino; seja feita a Vossa vontade (Mt 6,9-10).

 

11. 5ª lição: Viver segundo os princípios da vida cristã (Mt 5,44-45). O discípulo de Jesus tem o coração cheio de alegria por ser filho de Deus e confia-lhe seus segredos. Acolhe Jesus como Bom Pastor e procura ser uma ovelhinha fiel e amorosa, atento às suas palavras: Não é aquele que diz: Senhor, Senhor, que entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus (Mt 7,21).

 

            12. 6ª lição: Amar o próximo como Jesus o ama (cf. Jo 13,34; 15,12-13). Para  amar como Jesus, é necessário ter um coração universal; desenvolver a gratuidade, a fidelidade e a perseverança: Nisso saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Fazer-se próximo do outro; estar aberto à reconciliação fraterna; interessar-se pela vida do outro – isto é, por suas alegrias e tristezas, por suas esperanças e angústias.

 

13. 7ª lição: Ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-16). Seremos sal e luz se nossa vida for dirigida pelo Evangelho, se nos revestirmos de Cristo, se vivermos sua Palavra. Isso será possível se o coração do discípulo estiver cheio de amor por ele.

 

14. 8ª lição: Anunciar o Reino de Deus e curar os enfermos (cf. Lc 9,1-6). Antes de tudo, contemplar o mundo com o olhar de Jesus, amar o mundo com o coração de Jesus, assumindo seu modo de amar. Semear sem a preocupação do sucesso, mas

empenhando-se com todas as forças e deixando o Senhor agir. Curar os enfermos

significa o empenho pela promoção humana, como o Bom Samaritano; favorecer a

justiça e a paz; cuidar da criação.

 

15. 9ª lição: Buscar a comunhão eclesial. Não viver isolado, mas em comunhão, na Igreja (cf. Jo 17,20-23). Colocar à disposição de todos os próprios carismas e procurar desenvolver uma “eclesiologia de comunhão”.

 

16. 10ª lição: Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo (Jo 20,19-23). Alimentar uma espiritualidade sólida e profunda. Evitar o formalismo. Viver em estado de Pentecostes.

 

17. Conclusão. Maria, fiel discípula missionária de Jesus, repete a cada filho seu: Fazei tudo o que ele vos disser! (Jo 2,5). Quem lhe obedecer verá que a água de sua vida se transformará em vinho e, com o apóstolo Paulo, poderá dizer: Esta minha vida na carne eu a vivo na fé do Filho de Deus... não sou eu que vive, é Cristo que vive em mim (Gl 2,20).

Autor:

Dom Murilo S.R. Krieger, scj -
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil
COMENTÁRIOS (1)

Escrito por Alysson em 23/11/2011

Grandes e sábias liçoes...

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