Exaltação da Cruz

Cruz de minha vida, Cruz de minha alma, Cruz de minha alegria.

Árdua Cruz que me limita e me liberta, que me santifica, que me dá nova vida!

Cruz que me atormenta, Cruz que me alimenta.

Aonde vou sem te carregar comigo? Como seguir sem te levar a minha frente?

Cruz que me sela para Deus, Cruz que me carrega para o Céu.

Sofro contigo, ó Cruz Bendita, as dores dos teus cravos, as dores da minha vida.

Nada mais vejo, nada mais desejo...

Escondo-me, feliz, na tua loucura!

Escolho para mim a tua beleza!

 

 

 

A primeira vez que me questionei sobre a Cruz de Cristo, eu fui além da visão da dor e do sofrimento. Queria compreender o sentido, o motivo de tão excepcional doação. Eu percebi, assim, que a Cruz era o reflexo da vontade de Deus, expressão de um Amor que, de tão grande, era também inexplicável. Desde então, a Cruz de Cristo, que já me encantava, passou a me fascinar. Por ela é revelada a vida, a morte e a ressurreição de Cristo, a Sua Paixão pela humanidade. Mas, o que é a Cruz? O Papa Bento XVI, em seu discurso para os jovens, em 2008, às vésperas da Festa da Exaltação da Cruz, nos responde: “Não se trata de ornamento, nem de uma jóia. É o símbolo precioso da nossa fé, o sinal visível e material da união com Cristo. Para os cristãos, a Cruz é o símbolo da sabedoria de Deus e do seu amor infinito que se revelou no dom salvífico de Cristo morto e ressuscitado para a vida do mundo, para a vida de cada um e de cada uma em particular. Não só é o sinal da vida em Deus e da salvação, mas também a testemunha muda das dores dos homens e, ao mesmo tempo, a expressão singular e preciosa de todas as suas esperanças.”

 

A Cruz é fonte de vida, de perdão, de misericórdia, sinal de reconciliação e de paz. É sinal de vitória, vida que vence a morte. A Cruz é sinal de esperança, é convite à perseverança; é lembrança de amor; convite à conversão e nova visão do sofrimento. A Cruz é um abraço de Deus, é resgate, é salvação. A Cruz é consolo, nela temos as respostas para as dificuldades, pois Cristo tudo sofreu por nós. É sinal de ânimo e convite a oração, pois, quando tudo parecer perdido, podemos com o Cristo rezar “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito…” (Lc 23, 46). A Cruz é sinal da nova aliança de Deus, a aliança de amor. É sinal de gratidão, é sinal de alegria para nós que fomos amados, perdoados e alcançados pela graça de Deus. Entende o verdadeiro mistério da Cruz quem olha para ela e enxerga aquele sofrimento, aquela dor como um grande ato de amor.

 

Professor Felipe Aquino escreve sobre a Festa da Exaltação da Cruz em seu blog e nos esclarece que “o caminho da Cruz, da humilhação e da obediência, foi o que Deus escolheu para nos salvar. Por isso, amamos e exaltamos a santa Cruz.” Ele ainda acrescenta, em sua explicação sobre a Festa da Exaltação da Santa Cruz, uma frase de Santo Antônio: “Porque Adão no paraíso não quis servir ao Senhor (cf. Jr 2,20), por isso o Senhor assumiu a forma de servo (cf. Fl 2,7) para servir ao servo, a fim de que o servo já não se envergonhasse de servir ao Senhor.” Sabemos que a Cruz não é uma divindade e nem um ídolo, mas é santa e sagrada, é o lugar onde pendeu o Salvador do mundo. A Cruz é um mistério divino! E todo mistério é exaltado pela sua própria dimensão divina. Cristo, como homem, revela a grandeza de um Deus que viveu e morreu por amor. Diante desse mistério, que é “uma descoberta impressionante”, como citou nosso Papa na Homilia pelo 150° Aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Lourdes, devemos nos sentir impulsionados a venerar a Cruz, pois a “Cruz exprime a lei fundamental do amor, a fórmula perfeita da verdadeira vida”. Ainda na mesma homilia, Bento XVI diz que é o Espírito Santo que nos ajuda a compreender tais mistérios de amor e nos dá força e coragem para nos expressarmos como São Paulo: “Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” (Gálatas 6, 14).

 

A Festa da Exaltação a Santa Cruz nos convida a contemplar a Cruz não como um simples sinal, mas como a marca do cristão, o Sinal da nossa salvação! Como a serpente de bronze erguida no alto de uma haste de madeira no deserto, permitindo que ficasse curado todo aquele que olhasse para ela (Nm 21,8-9), temos Cristo levantado no lenho da Cruz: fomos remidos! Deus nos amou até o fim! Pelo demônio, o pecado e a morte entraram no mundo, e é pelo Cristo levantado no alto da Cruz, de onde Ele atrai para si os olhares de toda a humanidade, que nós temos a salvação e a vida eterna. “Olhando para a Cruz, que é sinal do amor maior de Deus para conosco, podemos ver como o Pai amou tanto o mundo - a ponto de mandar Seu Filho não para condenar o mundo, mas para salvá-lo.” (Dom Damasceno, Arcebispo de Aparecida). Na Homilia pela Festa da Exaltação da Santa Cruz de 2008, o Papa Bento XVI nos convidou a erguer com ousadia a Cruz gloriosa de nossa redenção, “a fim de que o mundo possa ver até onde chegou o amor do Crucificado pelos homens, por todos os homens. A Igreja convida-nos a dar graças a Deus, porque de uma árvore que trouxera a morte surgiu novamente a vida. É sobre este madeiro que Jesus nos revela a sua soberana majestade, nos revela que Ele é exaltado na glória.” Hoje, ele continua a nos lembrar que é pela Cruz de Cristo que estamos salvos. “Para ser curados do pecado, olhamos para Cristo crucificado!” disse Santo Agostinho.

 

Exalto hoje, unida a Cruz de Cristo, a cruz da minha vida. Quando Deus me chamou, Ele me convidou a renunciar a mim mesma, tomar a minha cruz e segui-Lo. A cada novo dia, da mesma forma, Deus nos chama novamente a esse caminho de renúncia, cruz e vida. A cruz, pela graça, deve se tornar a alegria de nossa vida. Viver a cruz não é perder a vida, pelo contrário, é ganhá-la por inteiro! (Mateus 16, 25). É pela cruz do dia a dia, que cada um carrega, que Deus nos santifica (Hb 12,10). Érika Vilela, nossa Mãe Fundadora, escreve que para ser um perfeito Louvor de Glória é necessário, antes, que entremos pela porta estreita, pelo caminho doloroso do Calvário, renunciando a si mesmo, abraçando cada um a sua cruz, esvaziando-se num verdadeiro kénosis, a fim de estar apto a viver como Cristo, nosso Mestre. “Esse caminho estreito é contrário a toda razão humana.”

 

Para nós, Filhos de Maria, a Cruz é onde nasceu a nossa vocação. A dor da Paixão de Jesus nos faz experimentar o mais profundo amor de Deus aos pés da Cruz. É do nosso desejo estar cada vez mais unido a Cristo nesse mistério, onde, dos pés da Cruz, passamos para o alto, crucificados com Ele, em perfeita entrega e união!

 

“Ali nasceu a minha vocação: ser Filho de Maria!

Ao seu lado, com João, quero Sangue e Água brotados do Sagrado Coração.”

(Nossa Vocação – cd Sangue por Sangue)

 

 

“Entende que é no livro da Cruz que está a história de tua salvação e a tua escada para o Céu. Como Filho de Maria, sê fiel à tua vocação ao sofrimento e oblação pelas almas. Volta sempre ao momento em que nasceste, ao Calvário, e lá, aos pés da Cruz, não temas em receber Maria como tua mãe, em acolhê-la na casa do teu coração.” (Érika Vilela - Escritos para Eternidade)

 

 

 

Referências bibliográficas:

Bento XVI - Discurso, Vigília de Oração com os Jovens, 2008.

Disponível em  http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2008/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20080912_parigi-giovani_po.html

Bento XVI - Homilia, Santa Missa no 150° Aniversário das Aparições, 2008.

Disponível em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2008/documents/hf_ben-xvi_hom_20080914_lourdes-apparizioni_po.html

Felipe Aquino - Exaltação da Santa Cruz, Canção Nova, 2008.

Disponível em http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2008/09/12/a-exaltacao-da-santa-cruz/

Dom Damasceno, Bispo de Aparecida – Homilia na Festa da Exaltação da Santa Cruz, 2010.

Disponível em http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=277810

 

 

Autor:

Mirla Rocha - Sorella de 2º ano da Comunidade Filhos de Maria
COMENTÁRIOS (2)

Escrito por Arley Humberto em 15/09/2011

Está aos pés da Cruz é descobrir a nossa Vocação sim! E digo mais, é se descobrir como aquele que desde toda a eternidade foi chamado a integrar em sua vida a luz resplandecente da Misericórdia. Ser e manifestar a misericórdia é próprio de todo aquele que se encontra com o Cristo Crucificado, não para chorar suas dores, mas para exaltar o amor que se derrama em cada chaga, em cada silêncio e/ou grito de dor contido, para no fim dizer: \"em tua mãos oh! Pai e entrego o meu espírito\". Está talvez seja a grande entrega a que somos chamados. Viver um total abandono diante do amor e assim descançar no Coração Sagrado que está sempre aberto, chagado de amor, derramando aquilo que mais tem de si: O Amor incontido de Deus para conosco seus filhos.

Escrito por Ana Luisa Monteiro em 15/09/2011

Dimaiis meu Deus.... \"Se aos pés da tua cruz já me encontro Mas mesmo assim não compreendo tanto amor por mim Se já me falta o entendimento, resta-me agora um grande amor por ti Pois tudo mais me foi tirado Não quero estar somente aos pés da cruz Pois me mostraste o quanto mais posso ir Quero agora teu nome santo clamar Pois nada sou se comigo tu não estás Sei não mereço que te voltes para mim Mas aí do alto da cruz Sei que me olhas e me queres junto a ti Subo na cruz e sinto todo amor que tens por mim\"

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