Deus fez-nos capazes de viver com Ele - Parte III

 4. Ao nosso encontro

Se dar-se por vencido é abandonar a aventura da vida, o que fazer? Como pode o homem perseverar no caminho do desejo? Como pode não se deter em respostas insuficientes?

Não é possível pensar que a imagem da nossa vida seja o mito de Sísifo, condenado a começar sempre de novo a tarefa sem encontrar jamais cumprimento nem descanso.

A vida é este desejo e, contudo, todas as nossas tentativas para satisfazê-lo parecem vãs. As nossas tentativas, não a possibilidade do cumprimento.

De fato, o nosso desejo seria vão, seria absurdo, se estivesse destinado a ficar eternamente insatisfeito. Mas isto não quer dizer que sejamos nós a satisfazê-lo. Somos "capazes" de ser satisfeitos, não de nos satisfazermos a nós próprios.
A sede que seca a garganta do homem diz que este é capaz de beber, não que ele mesmo seja a fonte fresca e cristalina que pode sacia-lo. Assim, o homem é capaz do infinito, capax Dei, porque pode acolhê-lo se este sai ao seu encontro e não porque se possa construir por si mesmo o infinito que anseia.

Quando o homem se reconhece capax Dei, o seu desejo, a sua nostalgia, o seu anseio, são abraçados pela sua liberdade e convertem-se em súplica. E nesta súplica, o homem adquire a sua verdadeira estatura. «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus» (Mt 5,3)

A pobreza de espírito que bendiz Jesus nas bem-aventuranças, e cuja expressão mais eloquente é a prece, a súplica, constitui a plenitude da experiência humana. É o momento no qual o coração do homem diz ao Infinito que intuiu: "vem, manifesta-te!". Cada fibra do ser do homem espera e deseja, pede e suplica que o infinito saia ao seu encontro. Quer conhecer o seu rosto e pede-lhe: «buscarei o teu rosto, Senhor, não me escondas o teu rosto» (Sl 26)

E Deus não deixou sem resposta a súplica do homem: «Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento que o homem não pode de nenhum modo alcançar pelas suas próprias forças, a da Revelação divina (cf. Vaticano I: DS 3015). Por uma decisão inteiramente livre, Deus revela-se e dá-se ao homem. Fá-lo revelando o seu mistério, o seu desígnio benevolente que estabeleceu desde a eternidade em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio enviando o seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e ao Espírito Santo».

As orações dos salmos, os textos da Eucaristia, o tempo do Advento, toda a liturgia da Igreja são uma educação permanente a viver de maneira consciente e cada dia mais disponível esta súplica ao Senhor.

Pela manhã, no início do dia, na oração de laudes, as primeiras palavras que a Igreja nos faz recitar são: «Deus vinde em nosso auxílio. Senhor socorrei-nos e salvai-nos». Deste modo, educa-nos e nos ajuda a compreender que o desejo está chamado a converter-se em súplica.

 5. Companheiros de caminho de todos os homens

Nesta súplica todos os homens se percebem companheiros de caminho.

Reconhecer o desejo do infinito que constitui o coração de cada homem permite-nos dar-nos conta da unidade que existe entre nós.

As expressões deste desejo podem ser muito diferentes. Algumas delas podem resultar duras, ofensivas e violentas. E, ainda assim, são expressões da mesma busca que vive no nosso coração.

Quem se reconhece em busca sabe que está próximo de todo o homem: nada nem ninguém lhe é estranho. Para a Igreja não há "distantes: porque todos os homens vivem, perguntam-se e desejam. Todos buscam.

Por isso, o cristão não teme falar da sua busca com todos. Inclusive com aqueles que se riem dele, que o chamam sonhador ou visionário.

Uma simpatia imensa por todo o homem o acompanha quotidianamente. A arte, a literatura, a música, tudo o que expressa o génio do homem é, para quem busca, ocasião de reconhecer de novo o desejo que o constitui.

Autor:

Catequese Preparatória da JMJ 2011

www.madrid11.com/pt/caminho/catequese
COMENTÁRIOS (1)

Escrito por Alysson em 26/08/2011

\" Para a Igreja não há distantes: porque todos os homens vivem, perguntam-se e desejam. Todos buscam\". As catequeses da JMJ são um alimento incomparável para nós. Que alegria o encontro do Santo Padre com os jovens. Que graça saber que participamos disso juntos! Amo esta Igreja que acolhe a juventude e a todos que buscam o Senhor. Igreja para a qual não há \"distantes\", pois acolhe ama seus filhos!

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