Nossa Mãe Fundadora

 

Nossa mãe fundadora

 

Érika Vilela nasceu em Montes Claros, no Brasil, em três de novembro de 1976. De família humilde, foi a primeira de três irmãs. Seus pais não eram católicos, mas a Providência de Deus lhe permitiu desde muito cedo a graça do batismo e experiências profundas com o Cristo e seu Evangelho. Muitas delas somente seriam compreendidas depois, após uma leitura espiritual da mística que envolvia sua vida, desde seu nascimento.

Foi uma criança graciosa, amante dos livros e dos estudos. Mesmo sem condições econômicas suficientes, teve a oportunidade de estudar em um colégio Marista, importante formação para que, anos depois, abraçasse com vigor sua catolicidade. Destacava-se entre os alunos da classe, tanto pelo sucesso das notas como pelas habilidades gerais, como dança e dramaturgia.

Enquanto crescia diante dos homens, diante de Deus não era diferente. Amava tudo e a todos, sempre se sensibilizando pelo sofrimento alheio. Vários acontecimentos marcaram a vida da menina que ia se tornando adolescente. Alguns deles até cômicos, como quando levava esmoleres para banhar-se e almoçar em sua casa. Por não avisar com antecedência, o espanto dos pais diante da inesperada visita a deixava muitas vezes em alguns “apuros” assim que o irmãzinhos de rua iam embora...

Junto aos sinais precoces de um amor universal pelos pobres que marcaria toda sua vida, crescia também sua fragilidade física. Entre os colegas, amigos e família, eram comuns as crises de saúde que aumentavam em intensidade e freqüência. Esses eventos, associados à falta de recursos financeiros lhe permitiu, durante toda sua trajetória de vida, comungar de uma singular intimidade com a cruz e o sofrimento.

Aos 14 anos de idade teve a primeira experiência com a Renovação Carismática Católica, em um grupo de oração na cidade de Belo Horizonte. Após um momento de profunda graça do Espírito Santo, ela e toda sua família se converteram, naquele dia, à fé católica.

A partir de então, sua vida se transformou. Aos 15 anos recebeu o sacramento do Crisma e também comungou pela primeira vez. Nunca mais Érika se afastaria da Eucaristia, que se tornou o centro de sua vida e, mais tarde, o ápice de sua vocação.

Iniciou seu apostolado de cura e pregação. Suas palestras e colocações, sempre inflamadas, junto à piedosa prática embasada no amor a Jesus Cristo e aos pobres começaram a despertar em outros jovens o interesse por aquela forma de viver. Mal imaginava Érika que em alguns anos seria mãe espiritual de muitos filhos e filhas no Carisma que o Senhor lhe infundira, desde sempre.

Fundou o grupo de oração Filhos de Maria em 1995, momento em que Alysson, hoje nosso co-fundador, estava presente. A missão daquele jovem, hoje seu esposo, foi e ainda se faz marcante naquele e incontáveis momentos do Carisma que ali nascia. O grupo foi crescendo e com ele o desejo de vários membros de, como Érika, abraçarem uma vida de radical adesão ao Evangelho. Depois de algumas experiências com outros carismas da Igreja e sob a direção espiritual do cônego Sebastião de Castro (padre Tiãozinho), funda em 1998 a Comunidade Filhos de Maria, na então diocese de Montes Claros. Dom Geraldo, com seu coração de pastor, acolheu aquela iniciativa com amor, abertura e generosidade. Pela graça do Espírito, naquele mesmo ano o papa João Paulo II proferia da Praça de São Pedro, por ocasião da vigília de Pentecostes, o inesquecível discurso aos Movimentos e Novas Comunidades, tratando-os, profeticamente, de uma nova primavera da Igreja. Um sinal carinhoso de Deus para a moça que encontrara, naquela vocação específica, o sentido único de sua vida e missão.

Então, o que dizer de Érika, nossa mãe fundadora?

Uma mulher jovem e madura, comprometida com o Evangelho e com uma santa disponibilidade à Vontade de Deus. Com grande docilidade ao Espírito Santo, Érika reúne em si a maternidade e direção espirituais, sem deixar o coração de criança e o jeito alegre e descontraído de ser na vida como irmã entre os irmãos. Como esposa, desde 2003, responde com fidelidade ao estado de vida ao qual o Senhor lhe chamou.

Uma mulher de coração missionário, sempre à escuta da voz da Igreja e obediente a Ela, aberta a ir aonde for preciso para anunciar Jesus e encontrá-Lo no irmão. Com este mesmo apelo, abraçou em 2006 os estudos da medicina, de modo a conformar-se ainda mais ao apostolado central do Carisma Filhos de Maria a serviço dos mais pobres entre os pobres.

Por fim, se nos fosse possível definir em uma palavra nossa fundadora, diríamos: “uma mulher apaixonada por Deus!” Sua amizade com Ele a tornou intimamente unida ao Seu coração de modo que podemos ler em sua vida aquilo que São Paulo escreve aos Gálatas: “Estou crucificado com Cristo. Vivo, já não eu, mas Cristo vive em mim” (Gal 2, 20). Sua existência encontra sentido na oferta total da própria vida ao Amor Misericordioso e seu desejo é amar até a loucura, até as últimas conseqüências. E quando perguntamos a ela o que diria ao Mestre se Ele se lhe apresentasse hoje, face a face, a resposta é categórica: se eu tivesse mil vidas, mil vidas te daria, Jesus!

 

 


 

A vocação Filhos de Maria

 

 A nossa vocação surgiu do coração do Pai para o coração da Igreja com a missão de ser no mundo a manifestação do amor misericordioso encarnado em Jesus e na sua revelação da face de Deus, sempre em tudo sob o olhar de ternura da Virgem e sua materna direção. É uma vocação para os homens e as mulheres do tempo de hoje, vocação de ser contemplativos e ao mesmo tempo apostólicos, amantes do silêncio, no entanto, os primeiros a louvar através da dança, da música, assim como fazia o rei Davi diante da presença de Deus e de sua prodigiosa ação. É um chamado a amar sem limites e servir sem fronteiras que se apresenta de duas formas: Como Comunidade de vida e obra Filhos de Maria.

A Comunidade de Vida é formada por aqueles eleitos que livremente escolheram responder ao chamado de Jesus de deixar tudo e segui-lo, tendo como exemplo o chamado dos primeiros apóstolos e sua vida familiar em que tudo era partilhado e vivido no Espírito das bem aventuranças, sendo o anúncio do Reino e sua construção o sentido de sua existência. Assim, inseridos numa vida familiar à semelhança da sagrada família, experimentando a comunhão nos diversos estados de vida a Comunidade de Vida reza e trabalha pela construção da civilização do amor, sendo o núcleo e a fonte do carisma e da missão.
A obra se constitui de homens, mulheres, jovens, crianças que se sentem também chamados à uma vida de intimidade com Deus e de serviço, sem no entanto, deixar seus laços seculares. São por excelência irmãos doados e missionários, adoradores da Eucaristia, ouvintes da palavra e testemunhas do Cristo.
Essas duas formas expressam o único jeito de ser Filho de Maria: Acolhida, serviço, alegria, oração, comunhão, um manto de misericórdia a cobrir os sofrimentos da humanidade.

 

 


 

Maria, mãe de Misericórdia


Viver Deus, viver de Deus e viver em Deus como a virgem Maria é a nossa meta. Maria é a nossa mãe e mestra. Em sua escola aprendemos a intimidade com os anjos, o sim sem reservas e incondicional à vontade de Deus, a solicitude no servir, o meditar e guardar a Sagrada Escritura em nossos corações, a atenção à necessidade dos outros, a coragem nos sofrimentos e a fortaleza ao estar de pé diante da cruz, já contemplando nela e para além dela a ressurreição e a comunhão/oração que se manifesta com sua presença em Pentecostes no nascer da Igreja.
É em Maria e em seu ventre imaculado que somos novamente gerados na fé, nos sentimentos do seu filho Jesus, não esquecendo que ela é para nós a primeira discípula de Jesus e porque não dizer quem por excelência viveu a infância espiritual e soube cantar as maravilhas de Deus realizadas em sua pequenez e pobreza. Com ela aprendemos a divinizar o nosso dia a dia.
Nela todos os estados de vida se consagram e se encontram; a beleza e a profecia da virgindade, do celibato, do sacerdócio e do mistério sagrado do casamento. Em Maria unem-se a ação e a oração, a vida contemplativa e apostólica, a solidão e a missão.

 

 


 


O mistério da cruz me fascina...

 

A cruz para muitos simboliza dificuldade e dor, para nós, Filhos de Maria é o amor em extremo de um Deus que se esvazia, assume uma condição de escravo e abraça a morte para gerar uma nova vida para aqueles que antes estavam mortos permanentemente pelo pecado e separados do seu criador pela desobediência.
Na nossa vocação a cruz é um caminho de liberdade interior, crucificando-nos para o mundo vivemos para Deus e nEle podemos alçar os mais belos vôos na santidade. Ao ostentarmos a cruz queremos mostrar ao mundo a aliança de amor entre Cristo e a sua Igreja, entre Deus e a alma esposa de cada um de nós.
Nela mergulhamos no conhecimento de um Deus apaixonado, que por desejo de nos ver livres e felizes entrega seu coração para ser ferido e dele jorrar sangue e água, vida e vida em plenitude. Sua sede saciou a nossa sede, sua morte deu-nos nova vida e sua dor conforto e consolo para toda e qualquer aflição.
Se estamos tristes contemplamos a cruz, alegres voltamos o nosso olhar para ela; apressados ou impacientes, silenciosos ou em gritos ela está sempre à nossa frente lançando-nos ao abraço da eternidade.

 

 


 

Sofrimento


Um dos traços de nossa missão é ordenar tudo para o amor ensinando aos nossos irmãos o sentido do sofrimento e a dignidade de se conformar com ele. Numa sociedade que se recusa a sofrer, que se anestesia com o ter e o prazer anunciamos que o sofrimento antes de diminuir-nos, eleva-nos; de enfraquecer-nos, fortalece-nos e nos molda como filhos e filhas do Deus altíssimo.
Como nossa vida é centralizada em Cristo e Maria e suas formas de viver vemos que Jesus como sua mãe não fugiram do sofrimento, mas foram ao seu encontro abraçando-os e enfrentando-os com coragem e humilde submissão e conformidade com a santíssima Vontade.
Queremos também ir além dos nossos sofrimentos e abraçar o sofrimento do outro, sendo oásis no deserto, um Simeão que caminha ao lado, o samaritano que unta as feridas e acolhe até a restauração, uma mãe que recebe no colo e após untar e limpar as feridas cobre com o manto novo o seu filho chagado, digno de Rei.
Assim, peregrinos que somos, onde quer que estejamos partilhamos a fé de sofrer com alegria, a certeza que enquanto aqui estamos teremos aflições, mas aquele a quem entregamos a nossa vida venceu o mundo, na esperança confiante de que as dores desta vida não se comparam a glória que virá.
Temos um segredo simples para bem sofrer fazemos a seguinte oração:
Doce Jesus fica comigo, porque contigo tudo é bom!

 

 


 

 

Os baluartes

 

   

 

Como o próprio nome indica, os baluartes são sustentáculos, uma fortaleza em cada traço no qual ele se destaca na nossa vocação. Assim, São Francisco é nosso baluarte na pobreza e alegria, Santa Terezinha do Menino Jesus na castidade e infância espiritual, Madre Tereza de Calcutá na obediência e no amor aos mais pobres entre os pobres e Padre Pio no martírio e na vida de alma hóstia.
Estes santos são nossos irmãos de caminhada, intercessores fiéis e amigos celestes que nos fortalecem com o exemplo de suas vidas no seguimento de Cristo, seu evangelho e na obediência a sua Santa e Madre Igreja.
Lemos a presença de cada um em nossa história como podemos ler as diferentes estações do ano. São portanto, mais um sinal da bondade de Deus, de sua providência e cuidado para conosco. Por isso, é incentivada em nossa comunidade a leitura de seus livros e de estudos sobre eles, já que sem conhecê-los não os amamos, sem amá-los não poderíamos jamais imitá-los.


No amor misericordioso do Pai e sob o olhar da virgem,
Da pobrezinha de Deus.