Missão Cracolândia: uma presença que faz a diferença

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Missão Cracolândia: uma presença que faz a diferença

Umas das aventuras do III Encontro Nacional de Jovens Líderes de Movimentos e Novas Comunidades (ENJMC) deste ano foi um dia de missões. Era um dia esperado por mim com grande ansiedade. Afinal, aventura é comigo mesmo!

Quando a coordenação do evento apresentou para nós as opções que teríamos, eu não tive dúvidas de qual eu iria escolher: eu queria ir para a Cracolândia. Eu sabia que lá eu iria encontrar o sofrimento humano em uma intensidade com a qual eu nunca havia me deparado. Não posso negar que isso gerou um certo medo em mim, era uma realidade desconhecida. Mas uma santa curiosidade me impulsionava.

Saímos cedo para nos encontrarmos com o grupo de missionários que iriam nos acompanhar. O grupo é composto por padres, freiras e casais de voluntários, além de membros da Comunidade Sementes do Verbo. Todo sábado eles realizam uma visita a Cracolândia, levando pão com mortadela e um refresco. Além, é claro, da esperança de uma vida melhor.

“Não podemos ir para lá com a intenção de tirá-los de lá. Vamos para ser presença!” – explicou o Padre Fabrício. Ele nos disse que eles sempre oferecem auxílio para quem deseja sair do mundo das drogas, mas na maioria das vezes os moradores dizem que “não estão prontos” e não se pode fazer nada além de perseverar sendo presença.

Que escola de evangelização foi essa visita! Foi uma riqueza muito grande de aprendizagem, que eu sei que ainda não terminou. Há muitos frutos a serem colhidos. O padre trata cada um que encontra pelo caminho como filho. É possível contemplar seu amável olhar de pastor durante cada abordagem.

Encantou-me perceber como a Igreja vai mesmo até os confins da terra, em busca dos filhos de Deus esquecidos pela sociedade. E ser a manifestação do Amor Misericordioso do Pai ali foi uma verdadeira realização. Eu me lembrei da sensação das primeiras missões que realizei com moradores de rua e do sentimento de: “Meu Deus! Foi para isso que eu fui criada.”

Os pobres são para nós uma grande riqueza. Os mais abandonados e marginalizados dos pobres, então, valem muito mais que ouro e prata. É Jesus chagado, humilhado, de quem todos desviavam o olhar.  Eu, inconscientemente, não quis desviar o olhar de nada nem de ninguém. Pelo contrário, eu ansiava por olhar. Não queria perder nenhum detalhe, nem mesmo os mais sofridos.

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Visita de missionários à Cracolândia

Um morador me fez lembrar o Evangelho quando disse que o crack é uma “fábrica de mendigos, que veio para roubar, matar e destruir”. Nós estávamos lá lutando para que todos desfrutassem da vida e da vida em abundância que nos é ofertada pelo Cristo.

Como esperado, ninguém se decidiu por sair daquela vida depois da nossa visita. Mas saímos de lá com a certeza de que fomos presença de Deus e fizemos com que cada um que encontramos pelo caminho se sentisse mais “gente”, porque passaram por seus caminhos pessoas que olharam para eles com amor e com ternura.

Eu saí de lá me perguntando por que gritava dentro de mim aquele intenso desejo de voltar ali toda semana. A Cracolândia me atraiu e me conquistou. Que loucura! Entendi que foi mais ou menos esse o sentimento de Jesus, quando se entregou por nós. É a loucura da cruz!

Maria Clara Novaes

Consagrada da Comunidade Filhos de Maria

1 Comentário

  1. Raquel Viegas disse:

    Louvado seja Deus!
    Jesus seno acolhido na vida daquelas pessoas!

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