Ao deserto, a Deus

Quaresma 2019
6 de março de 2019

Ao deserto, a Deus

Nossa fundadora Érika Vilela nos ensina: “Busca sempre o silêncio que fecunda a oração.” E neste espírito quaresmal que busca uma maior intimidade com Deus, confira o texto a seguir onde ela nos fala um pouco sobre a quaresma.

“Conduzi-lo-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao Coração.” (Oséias 2,16)                                                                                                                                                             

É no espírito dessa intimidade com Deus que a Igreja nos convida a viver o Tempo Quaresmal como tempo de oração, de falar de coração a coração com o Deus vivo. O deserto, na Sagrada Escritura, não é somente um lugar de passagem; é, sobretudo, lugar privilegiado de encontro com Deus. Assim foi com Israel durante quarenta anos; com Elias, quarenta dias, com João Batista desde a adolescência e, por fim, o próprio Cristo, ao retirar-se para rezar e jejuar durante quarenta dias.

O deserto, além de ser lugar de intimidade, passagem ou contemplação, é também onde se revela a luta suprema, onde Jesus é tentado pelo demônio. Para compreendermos bem esse convite ao deserto, precisaremos parar um pouco nas tentações de Jesus, pois, no deserto ou no exílio desta vida, muitas vezes nos deixamos vencer pelas tentações sem percebermos que já está em nossas mãos a forma de vencer toda e qualquer Tentação. Após jejuar quarenta dias, Jesus sentiu fome. Foi nesse momento de fragilidade (e somos mais tentados quando estamos frágeis), que Satanás fez sua primeira investida. Convite sedutor, principalmente nos dias atuais, em que o sofrimento está vazio de sentido. Por que sofrer? Se o mundo te oferta tantos caminhos para evitá-lo? Para vencer essa tentação, Jesus nos convida a viver o conceito da pobreza, de se confiar à Providência Divina, porque o Pai, em Seu Amor Misericordioso, dará a nós tudo que precisarmos.

Abandonar-se, depender, esvaziar-se, renunciar… Verbos que a sociedade atual tenta banir como se Independência fosse sinônimo de Liberdade no Cristianismo. Liberdade é consequência de conhecimento da verdade.

Para vencer a tentação do prazer, Jesus nos indica o caminho da Castidade, do autodomínio e, como ferramenta preciosa, a Igreja nos convida a mortificação.

Por fim para a tentação do “Ser como Deus?”, da dúvida do ser Amor, Jesus nos ensina o feliz caminho da Obediência; ‘’aniquilou a si mesmo, tomando a condição de escravo” (Fl 2,7) assim, diante da tentação, da rebelião e soberba.

Há somente em caminho: humilhação, obediência e cruz. É pois, através destes três conselhos evangélicos: pobreza, castidade e obediência que venceremos as tentações do deserto, compreenderemos que é preciso passar por elas, como Jesus, e veremos, também com Ele, a Sua Ressurreição.

Érika Vilella (@erikavilelacfm) Fundadora da Comunidade Filhos de Maria

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